Discriminação de gênero no comércio on-line: o produto vale menos se quem vende é mulher

Claudio Macedo
23/02/2016

Igualdade de gênero. [1]
Igualdade de gênero. [1]
A questão da discriminação de gênero na comercialização de produtos no comércio eletrônico norte-americano foi objeto de detalhado estudo de pesquisadores israelenses [2]. Eles analisaram dados reais de mais de 1 milhão de operações ocorridas entre particulares, através do site de leilões eBay, nos anos de 2009 a 2012.

No trabalho [3], os autores priorizaram os produtos novos idênticos, oferecidos ao mesmo tempo por vendedores homens e mulheres, visando descartar eventuais explicações para a diferenças de preços relacionadas com a qualidade dos produtos vendidos.

Sistematicamente as mulheres vendedoras receberam um número menor de ofertas e preços finais mais baixos do que os homens vendedores para o mesmo produto. Em média, as mulheres receberam cerca de 20% a menos do que homens receberam, ao vender um produto idêntico [3].

O interessante é que nos leilões on-line as diferenças nas habilidades de negociação de vendedores homens e mulheres são irrelevantes, pois não ocorre interação entre vendedores e compradores. Assim, a conclusão a que se pode chegar é que as pessoas (independente de sexo) tendem a atribuir um valor inferior para os produtos quando vendidos por mulheres, ao contrário de quando vendidos por homens.

A pesquisa reforça o fato que a desigualdade de gênero é generalizada e persistente na sociedade norte-americana. No texto, os autores destacam que pouco progresso tem havido em direção à igualdade no trabalho e nos rendimentos desde os anos 1990. O salário médio das mulheres, por exemplo, é apenas 82% do salário médio dos colegas homens [3].

Observamos em trabalhos como esse [3] que a luta para superar a discriminação de gênero será árdua e muito longa, pois envolve estereótipos e papéis sociais profundamente arraigados na sociedade.

[1] Crédito da imagem: openDemocracy (Flickr) / Creative Commons (CC BY-SA 2.0). URL: https://www.flickr.com/photos/opendemocracy/2065881870/in/photolist.

[2] Instituições dos pesquisadores: Tel Aviv University e Interdisciplinary Center Herzliya (Israel).

[3] T Kricheli-Katz and T Regev. How many cents on the dollar? Women and men in product markets. Science Advances 2, e1500599 (2016).

Como citar este artigo: Claudio Macedo. Discriminação de gênero no comércio on-line: o produto vale menos se quem vende é mulher. Saense. URL: http://www.saense.com.br/2016/02/discriminacao-de-genero-no-comercio-on-line-o-produto-vale-menos-se-quem-vende-e-mulher-2/. Publicado em 23 de fevereiro (2016).

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Claudio Macedo

Doutor em Física. Divulgador de Ciência. Professor da Universidade Federal de Sergipe (1976-2016).
Escreve sobre Temas Variados da Ciência no Saense.

2 thoughts on “Discriminação de gênero no comércio on-line: o produto vale menos se quem vende é mulher”

  1. Não vejo diferença entre vendedores. Compro se me interessa o produto e se a empresa e ou pessoa é confiável.
    Quanto aos salários diferentes, também não entendo essa cultura em pleno século XXI …vale o mérito tecnico profissional do indivíduo. Nunca sofri discriminação na minha vida profissional.

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