É mais fácil esquecer atos antiéticos

Claudio Macedo
13/09/2016

“Cola” em exame. [1]
“Cola” em exame. [1]
Diariamente temos notícias sobre casos de má conduta ética nas mais diversas atividades humanas: negócios, política, esporte, educação, medicina, etc. Muitas pessoas que se consideram honestas, sonegam impostos, furtam objetos do trabalho, fazem download ilegal de músicas na Internet, mentem, e assim por diante.

Pesquisadores norte-americanos descobriram que como as pessoas têm uma visão muito positiva da própria moralidade, elas experimentam desconforto psicológico depois de se comportar de forma desonesta e, como defesa, se envolvem em várias estratégias para aliviar essa dissonância e reduzir sua angústia. Elas usam um duplo mecanismo de distanciamento: julgam as transgressões dos outros mais duramente do que as próprias e se apresentam como mais virtuosas e éticas em comparação. Além disso, tratam de esquecer os detalhes de suas ações antiéticas ao longo do tempo, pois tais informações ameaçam a sua autoimagem moral e criam sofrimento [2].

Num trabalho envolvendo 2.109 pessoas, os autores observaram que o engajamento em comportamento antiético produz alterações na memória do indivíduo tal que as memórias de ações antiéticas gradualmente se tornam menos claras e menos vívidas do que as memórias de ações éticas ou outros tipos de ações que são positivas ou negativas. Os pesquisadores denominaram esta ofuscação de memória dos indivíduos em relação aos próprios atos antiéticos de “amnésia antiética”. Assim, é a amnésia antiética que viabiliza a ação desonesta ser repetida ao longo do tempo.

[1] Crédito da imagem: Hariadhi, myself (Own work) [CC BY 2.5], via Wikimedia Commons. URL: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Cheating.JPG.

[2] M Kouchaki and F Gino. Memories of unethical actions become obfuscated over time. PNAS 113, 6166 (2016).

Como citar este artigo: Claudio Macedo. É mais fácil esquecer atos antiéticos. Saense. URL: http://www.saense.com.br/2016/09/e-mais-facil-esquecer-atos-antieticos/. Publicado em 13 de setembro (2016).

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Claudio Macedo

Doutor em Física. Divulgador de Ciência. Professor da Universidade Federal de Sergipe (1976-2016).
Escreve sobre Temas Variados da Ciência no Saense.

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