Adotaremos a energia sustentável a tempo?

Claudio Macedo
10/01/2017

Concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera desde 1700. [1]
Pesquisadores norte-americanos, em artigo recente, fizeram uma ampla análise da produção e uso de energia sustentável no mundo. No trabalho, eles consideraram a evolução do consumo de energia, o crescimento da poluição atmosférica e perspectivas para a adoção ampla de energia limpa [2].

O consumo mundial de energia em 2012 foi de 161 PWh (161 quatrilhões de watts.hora) [3] e as projeções indicam que o consumo chegue a 184 PWh até 2020 e 238 PWh até 2040 [2]. Ocorre que apesar do importante aumento de produção de energia renovável nos anos recentes [4] cerca de 85% da energia que consumimos é produzida a partir de combustíveis fósseis. E isso significa poluição. A concentração de gás carbônico (CO2) na atmosfera subiu de 278 ppm no século 18 (início da Revolução Industrial) para 400 ppm hoje [5]. Considerando outros gases de efeito estufa (GEEs), como CH4, N2O e gases fluorados, a concentração de GEEs na atmosfera atual chega a 480 ppm. O dado assustador é que a concentração de CO2 na atmosfera em 1950 era de apenas 310 ppm (ver o gráfico acima).

Como resultado das emissões de GEEs, há fortes evidências que o clima está mudando. São cada vez mais frequentes e intensas as ondas de calor, secas, chuvas torrenciais e inundações.

Embora os combustíveis fósseis devam continuar a ser uma fonte significativa de energia para as próximas décadas, um caminho para baixas emissões de GEEs pode ser previsto. Uma quantidade crescente de energias renováveis está sendo convertida em eletricidade [4]. A transmissão e a distribuição de eletricidade estão se tornando mais eficientes graças aos avanços em materiais dielétricos e semicondutores. A eletricidade armazenada em baterias é cada vez mais usada para alimentar veículos elétricos e fazer backup de fontes renováveis intermitentes, como energia eólica e fotovoltaica solar. Devemos passar de uma indústria química baseada em matérias-primas de petróleo e gás para uma que está cada vez mais baseada em resíduos agrícolas renováveis. À medida que o custo da energia limpa continuar a cair, novos catalisadores nos permitirão converter economicamente CO2 e H2O diretamente em combustíveis e produtos químicos. Além disso, estruturas metalorgânicas (MOFs) e outros novos materiais estão sendo usados para capturar o CO2 da geração de energia e da produção industrial [2].

A civilização humana tem dependido decisivamente da produção de energia. Desde a iluminação e aquecimento de casas, irrigação de lavouras e transporte, até toda a gama de equipamentos tecnológicos que utilizamos. O progresso é necessariamente alimentado pela capacidade humana de encontrar, extrair e usar a energia de forma eficiente. O que precisamos é que políticas públicas sejam cada vez mais afinadas com pesquisa científica visando um futuro sustentável baseado na geração, transmissão e distribuição de energia limpa, eficiência energética e melhores sistemas de armazenamento e gerenciamento de energia.

[1] Crédito da imagem: U.S. Government Accountability Office from Washington, DC, United States [Public domain], via Wikimedia Commons. URL: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Figure_1-_Atmospheric_Carbon_Dioxide_Concentration,_1700-Present_(15555656365).jpg.

[2] S Chu et al. The path towards sustainable energy. Nature Materials 10.1038/NMAT4834 (2016).

[3] O prefixo P (peta) significa 1015, ou seja, quatrilhão.

[4] Artigos relacionados: O surpreendente aumento de produção de energia renovável e Como reduzir o consumo de combustíveis fósseis e impedir o desastre ambiental?

[5] A unidade de concentração ppm significa partes por milhão. A situação atual é que em cada 1 milhão de moléculas na atmosfera, 400 são de dióxido de carbono (CO2).

Como citar este artigo: Claudio Macedo. Adotaremos a energia sustentável a tempo? Saense. URL: http://www.saense.com.br/2017/01/adotaremos-a-energia-sustentavel-a-tempo/. Publicado em 10 de janeiro (2017).

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Claudio Macedo

Doutor em Física. Divulgador de Ciência. Professor da Universidade Federal de Sergipe (1976-2016). Escreve sobre Temas Variados da Ciência no Saense.

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