A dieta do relógio: comer na hora certa faz toda a diferença

Matheus Macedo-Lima
02/08/2017

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Dificuldades para perder peso? Não há dieta que funcione? Quais você já tentou? Menos calorias? Menos gorduras? Somente proteína? Dieta da lua? Qual realmente funciona?

Um novo estudo [2] sugere que quanto se come importa menos do que quando se come, ao menos para camundongos.

Os pesquisadores testaram isso de uma forma bem legal; desenvolveram uma máquina automatizada para entrega de ração para os bichinhos. Tanto a quantidade quanto a frequência do alimento pôde ser controlada com precisão. Além disso, o dispositivo monitorava quando o alimento era retirado pelo animal, e de quebra ainda media a atividade dos bichos numa rodinha de corrida. Como camundongos adoram correr, a atividade da rodinha é uma aproximação do quão ativo eles se encontram.

O estudo colocou animais em diferentes grupos experimentais:

  1. Ad libitum (quantidade ilimitada e durante o dia inteiro)
  2. Restrição temporal diurna (quantidade ilimitada e somente durante o dia)
  3. Restrição temporal noturna (quantidade ilimitada e somente a noite)
  4. Restrição calórica e temporal diurna (calorias reduzidas e somente durante o dia)
  5. Restrição calórica e temporal noturna (calorias reduzidas e somente durante a noite)

Detalhe importante: camundongos são noturnos, o que significa que eles normalmente se alimentam e são mais ativos à noite. Portanto, alimentação durante o dia não é o normal.

Após várias semanas nessas dietas, os animais foram colocados na balança. Consegue adivinhar o que aconteceu?

Primeiro, os animais dos grupos sem restrição calórica (1,2 e 3) não apresentaram diferenças nas medidas.

Segundo, no grupo com restrição calórica noturna (5) os animais perderam peso. Dieta eficiente.

Agora a surpresa: o grupo com restrição calórica diurna (4) não apresentou mudanças significativas no peso. Ou seja, a dieta não surtiu efeito!

Um detalhe importante aqui é que esse grupo ingeriu as mesmas quantidades de alimento que o grupo 5, o qual perdeu peso. Apenas a hora do dia em que o alimento era apresentado foi diferente entre eles. Detalhe: a quantidade de exercício praticada em todos os grupos foi similar.

Como nenhuma pesquisa é perfeita, aqui vai uma importante ressalva: o estudo utilizou apenas camundongos machos e de uma única linhagem genética. Portanto, testes em fêmeas, assim como testes em outras raças de camundongos (e outras espécies animais) são essenciais para fortalecer essa hipótese.

Ainda assim, dá para supor que a alimentação na hora “correta” é essencial para uma boa dieta. Tão importante quanto a quantidade de calorias.

Caso você já queira ir testando essa ideia, vale um lembrete: nós humanos somos animais diurnos. A hora correta de comer aquela macarronada não é à noite!

[1] Crédito da imagem: HNBS (Pixabay) / Creative Commons CC0. https://pixabay.com/en/salad-watch-salad-clock-buffet-852050/.

[2] VA Acosta-Rodríguez et al. Mice under Caloric Restriction Self-Impose a Temporal Restriction of Food Intake as Revealed by an Automated Feeder System. Cell Metab 10.1016/j.cmet.2017.06.007 (2017).

Como citar este artigo: Matheus Macedo-Lima. A dieta do relógio: comer na hora certa faz toda a diferença. Saense. URL: http://www.saense.com.br/2017/08/a-dieta-do-relogio-comer-na-hora-certa-faz-toda-a-diferenca/. Publicado em 02 de agosto (2017).

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Matheus Macedo-Lima

Matheus Macedo-Lima

Doutorando em Neuroscience and Behavior na University of Massachusetts Amherst (USA). Escreve sobre Neurociência no Saense.

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