Moldados os primeiros segmentos do espelho principal do ELT

ESO
26/02/2018

Os seis primeiros segmentos hexagonais do espelho principal do Extremely Large Telescope do ESO acabam de ser moldados pela companhia alemã SCHOTT na sua fábrica principal em Mainz. Estes segmentos farão parte do espelho primário de 39 metros do ELT, o qual terá 798 segmentos no total. O ELT será o maior telescópio óptico do mundo, com primeira luz prevista para 2024.

O espelho primário de 39 metros de diâmetro do Extremely Large Telescope (ELT) do ESO [1] será de longe o maior já construído para um telescópio óptico-infravermelho. Um gigante desses é grande demais para poder ser feito de uma única peça de vidro, por isso o espelho consistirá de 798 segmentos hexagonais individuais, cada um com uma dimensão de 1,4 metros e cerca de 5 cm de espessura. Os segmentos trabalharão em conjunto como se fossem um único e enorme espelho, coletando dezenas de milhões de vezes mais luz que o olho humano é capaz.

Marc Cayrel, chefe de optomecânica do ELT, esteve presente nas primeiras moldagens: ”Foi fantástico ver os primeiros segmentos sendo moldados. Trata-se de um enorme marco na construção do ELT!”

Assim como o molde do espelho secundário do telescópio, os segmentos do espelho principal são fabricados de um material cerâmico de baixa expansão chamado Zerodur© [2] da SCHOTT. O ESO assinou os contratos da fabricação dos quatro primeiros espelhos do ELT — M1 a M4, sendo M1 o espelho primário — com esta companhia alemã (eso1704).

A moldagem dos primeiros segmentos é um processo importante, já que é a partir dela que os engenheiros da SCHOTT validam e otimizam o processo de fabricação, assim como as ferramentas e os procedimentos associados.

A moldagem dos primeiros seis segmentos trata-se um importante marco no processo de construção deste telescópio, mas a estrada ainda é longa — será necessário moldar e polir mais de 900 segmentos (789 para o espelho primário propriamente dito e um conjunto sobresselente de 133). Quando o processo estiver completamente otimizado, a taxa de produção será de cerca de um segmento por dia.

Após a moldagem, os moldes dos segmentos de espelho serão submetidos a uma sequência de tratamento de aquecimento e lento processo de resfriamento, sendo depois aparados até à forma correta e polidos até uma precisão de 15 nanometros em toda a superfície óptica. Os ajustes da forma e polimento da superfície serão da responsabilidade da companhia francesa Safran Reosc, a qual fará testes adicionais (eso1717). [3]

[1] O ESO (European Southern Observatory) é a mais importante organização europeia intergovernamental para a investigação em astronomia e é de longe o observatório astronômico mais produtivo do mundo. O ESO é financiado por 16 países: Alemanha, Áustria, Bélgica, Brasil, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Itália, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça, assim como pelo Chile, o país de acolhimento, e pela Austrália, como parceiro estratégico. O ESO destaca-se por levar a cabo um programa de trabalhos ambicioso, focado na concepção, construção e operação de observatórios astronômicos terrestres de ponta, que possibilitam aos astrônomos importantes descobertas científicas. O ESO também tem um papel importante na promoção e organização de cooperação na investigação astronômica. O ESO mantém em funcionamento três observatórios de ponta no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera o Very Large Telescope, o observatório astronômico óptico mais avançado do mundo e dois telescópios de rastreio. O VISTA, o maior telescópio de rastreio do mundo que trabalha no infravermelho e o VLT Survey Telescope, o maior telescópio concebido exclusivamente para mapear os céus no visível. O ESO é um parceiro principal no ALMA, o maior projeto astronômico que existe atualmente. E no Cerro Armazones, próximo do Paranal, o ESO está a construir o Extremely Large Telescope (ELT) de 39 metros, que será “o maior olho do mundo virado para o céu”.

[2] O Zerodur© foi originalmente desenvolvido para telescópios astronômicos no final da década de 1960 e é um material com um coeficiente de expansão térmica muito baixo, o que significa que não se expande mesmo quando submetido a enormes flutuações de temperatura. É também altamente resistente em termos químicos e pode ser polido com elevado grau de acabamento. A camada refletora, feita de alumínio ou prata, é normalmente vaporizada sobre a superfície extremamente polida do espelho, pouco antes do telescópio entrar em operação e posteriormente a intervalos regulares. Muitos telescópios que utilizam espelhos de Zerodur© têm operado com sucesso ao longo das últimas décadas, incluindo o Very Large Telescope do ESO, no Chile.

[3] Este texto é a tradução da Nota de Imprensa do ESO eso1801, cortesia do ESON, uma rede de pessoas nos Países Membros do ESO, que servem como pontos de contato local para a imprensa. O representante brasileiro é Gustavo Rojas, da Universidade Federal de São Carlos. A nota de imprensa foi traduzida por Margarida Serote (Portugal) e adaptada para o português brasileiro por Gustavo Rojas.

Como citar esta notícia científica: ESO. Moldados os primeiros segmentos do espelho principal do ELT. Tradução de Margarida Serote e Gustavo Rojas. Saense. http://www.saense.com.br/2018/02/moldados-os-primeiros-segmentos-do-espelho-principal-do-elt/. Publicado em 26 de fevereiro (2018).

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