O impacto dos brinquedos infantis nas habilidades espaciais dos adultos

Claudio Macedo
08/02/2018

“DNA” de Lego. [1]
Pesquisadores dos EUA constataram uma incrível dispersão nas habilidades espaciais dos estudantes de graduação da área de geociências de uma universidade norte-americana [2]. Eles aplicaram testes para avaliar essas habilidades e os resultados indicaram uma distribuição de respostas corretas entre um mínimo de 6% e um máximo de 75%. No geral, as respostas corretas foram maiores para os homens, mas ao se separar os alunos que tiveram na infância a experiência frequente de brincar com brinquedos baseados em construção, tipo Lego, jogos de vídeo de ação, ou esportes ao ar livre, as pontuações masculinas e femininas ficaram semelhantes e posicionadas nos escores mais altos.

As relações espaciais são um componente importantíssimo das disciplinas de ciências exatas e naturais e de tecnologia (CENT). Por exemplo, os químicos estudam a estrutura espacial das moléculas; geólogos, dimensões espaciais e gênese das paisagens ao longo do tempo; biólogos, a estrutura de DNA tridimensional; e engenheiros, o projeto e fabricação de estruturas tridimensionais. Além disso, a comunicação científica utiliza representações visuoespaciais, como gráficos, diagramas e mapas que exigem habilidades espaciais para interpretação. Portanto, as habilidades dos alunos para visualizar relações espaciais são críticas nas disciplinas das áreas de CENT.

Os testes envolveram 345 estudantes universitários e abordaram questões de múltipla escolha que exigiam que eles, por exemplo, girassem mentalmente formas intrincadas ou visualizassem a seção transversal de um objeto. Todas as questões foram apresentadas com conteúdos abstratos e não disciplinares, para que os alunos não percebessem a falta de conhecimento de conteúdo como uma barreira para selecionar uma resposta.

O trabalho define uma linha de pesquisa muito relevante para investigar o problema dos nossos baixos índices de sucesso acadêmico nos cursos das áreas de ciências exatas e tecnologia. É possível que haja uma forte correlação entre insucesso de estudantes nesses cursos e baixa habilidade espacial. É preciso investigar. A boa notícia é que o raciocínio espacial não é uma habilidade inata; em vez disso, a pesquisa mostrou que raciocínio espacial é treinável.

[1] Crédito da imagem: Michael Knowles (Flickr) / Creative Commons (CC BY 2.0). https://www.flickr.com/photos/mknowles/47457221/.

[2] AU Gold et al. Spatial skills in undergraduate students – Influence of gender, motivation, academic training, and childhood play. Geosphere 10.1130/GES01494.1 (2018).

Como citar este artigo: Claudio Macedo. O impacto dos brinquedos infantis nas habilidades espaciais dos adultos. Saense. http://www.saense.com.br/2018/02/o-impacto-dos-brinquedos-infantis-nas-habilidades-espaciais-dos-adultos/. Publicado em 08 de fevereiro (2018).

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Claudio Macedo

Doutor em Física. Divulgador de Ciência. Professor da Universidade Federal de Sergipe (1976-2016). Escreve sobre Temas Variados da Ciência no Saense.

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