Marco Túlio Chella
18/11/2016
Os sistemas de software de computadores tradicionais têm sido constantemente atualizados para corrigir e oferecer proteção contra esse tipo de ataque.
O mesmo procedimento não está sendo adotado pelos fabricantes de dispositivos IoT (Internet of Things). O fato desses dispositivos muitas vezes serem instalados e esquecidos, eventualmente em locais com dificuldade de acesso, talvez contribua para uma manutenção e atualização falha.
No último mês de outubro um ataque DDoS ocorreu tendo como alvo o site Dyn. Esse site é um servidor de DNS (Domain Name Server) cuja função é traduzir o nome dos sites que acessamos em números para que possam ser tratados pela rede. Comprometer um servidor de DNS significa tornar inacessíveis os sites que o utilizam. Nesse ataque foi comprometido o acesso ao Netflix, Twitter, Amazon, entre outros.
Ainda que esses ataques sejam comuns, a grande novidade é que levantamentos iniciais indicam que milhares de requisições do ataque foram geradas a partir de câmeras de segurança, permitindo concluir que esses dispositivos foram infectados com um botnet e doaram seus recursos computacionais e conectividade à rede para comprometer o acesso de milhões de pessoas a vários sites. Um fabricante chinês está recolhendo milhões de câmeras envolvidas no ataque que a imprensa especializada ironicamente chamou de Recall of Things.
Mas você pode dizer: “não tenho nenhum dispositivo IOT na minha casa então não estou contribuindo com mais um botnet.” Considere dar uma olhada naquela caixinha que o instalador de Internet ou tv a cabo ligou, configurou, e nunca mais foi mexida. Essas caixas são verdadeiros computadores, com bastante memória e capacidade computacional, executando um sistema operacional, e com grande chance de estar com os nomes de usuário e senha padrão de fábrica: admin, admin. É tudo que um criminoso digital precisa para transformar seu singelo modem em um escravo de um mestre do crime.
[1] Crédito da imagem: Pexels / Creative Commons Zero. URL: https://www.pexels.com/photo/police-blue-sky-security-surveillance-96612/.
Como citar este artigo: Marco Túlio Chella. O ataque das webcams. Saense. URL: http://www.saense.com.br/2016/11/o-ataque-das-webcams/. Publicado em 18 de novembro (2016).