UFMG
24/08/2023

O sono de pior qualidade, provocado pela restrição respiratória, seria a causa principal das alterações cognitivas e comportamentais. Foto: Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina

Nariz entupido e escorrendo, diminuição da capacidade de sentir cheiros, roncos noturnos e respiração pela boca são alguns dos sintomas da rinite alérgica e da hipertrofia adenotonsilar (aumento anormal das amígdalas e da adenoide na garganta). Essas duas doenças podem gerar, em crianças, efeitos como dispersão da atenção, desregulação emocional e hiperatividade, conforme foi demonstrado em pesquisa da médica Maíra Soares. Sua dissertação de mestrado, intitulada Impacto da rinite alérgica e da hipertrofia adenotonsilar no comportamento e em aspectos cognitivos da criança avaliado por métodos objetivos específicos, foi defendida recentemente no Programa de Pós-graduação em Saúde da Criança e do Adolescente da Faculdade de Medicina da UFMG. 

Maíra coletou dados de dois grupos de indivíduos de seis a 14 anos: os respiradores orais, que apresentam resistência nasal aumentada por causa de rinite alérgica ou hipertrofia adenotonsilar, e os respiradores nasais, cuja respiração ocorre sem restrições. A comparação entre os grupos deu origem a estudo quantitativo balizado por critérios objetivos, captados pelo teste de resposta cerebral P-300, via eletroencefalograma. Foram analisadas ondas cerebrais evocadas por estímulos sonoros e avaliadas a memória, a atenção, a desenvoltura social e a cognição dos pacientes.

“O sono agitado e de pior qualidade seria o principal fator causador das alterações cognitivas e comportamentais”, afirma Maíra Soares. A médica explica que, por gerarem obstrução das vias aéreas superiores, a rinite alérgica e a hipertrofia adenotonsilar levam à fragmentação do sono, com despertares frequentes, e à redução da saturação de oxigênio no sangue, já que, nessa condição, flui menos ar para os pulmões. 

Um dos questionários investigou aspectos como hiperatividade, impulsividade e desatenção, sintomas cardinais do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Também foi analisado o relacionamento das crianças com colegas, a família e  em outras esferas sociais, com base em respostas dos pais.

Isolamento agravou quadro
A pesquisa foi desenvolvida no fim da pandemia, em 2022. Segundo Maíra, a aproximação das famílias em casa favoreceu a precisão dos resultados, uma vez que os pais puderam acompanhar melhor o comportamento e o padrão de sono dos filhos. O isolamento como parte das medidas de prevenção à covid-19 intensificou o comportamento de crianças ansiosas, emocionalmente instáveis e agitadas. “A visão dos pais foi mais precisa para a detecção de alterações cognitivas e comportamentais do que as avaliações pontuais da pesquisa”, afirma a pesquisadora.

Os resultados contribuem para confirmar a hipótese de que a obstrução nasal crônica está associada a disfunção cognitiva e comportamental, mas também lançam novos questionamentos e desafios para a autora do estudo. “Os próximos passos serão dados no sentido de identificar o que pode ser feito para reverter ou minimizar a disfunção cognitiva e comportamental nesse perfil de paciente e para proporcionar mais qualidade de vida a essas crianças”, projeta Maíra Soares.

(Centro de Comunicação Social da Faculdade de Medicina) [1]

[1] Publicação original: https://ufmg.br/comunicacao/noticias/hiperatividade-desregulacao-emocional-e-desatencao-estao-associadas-a-obstrucao-nasal

Como citar este texto: UFMG. Hiperatividade, desregulação emocional e desatenção estão associadas à obstrução nasal crônica. Saense. https://saense.com.br/2023/08/hiperatividade-desregulacao-emocional-e-desatencao-estao-associadas-a-obstrucao-nasal-cronica/. Publicado em 24 de agosto (2023).

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