Josué Modesto dos Passos Subrinho
23/03/2026

Imagem gerada por IA

A divulgação dos primeiros números do Censo Escolar 2025 provocou alguma polêmica e manchetes na imprensa ecoando um misto de temor e acusação de mais um fracasso educacional brasileiro. Um conceito simples, crescimento do número de alunos matriculados, pode facilmente ser associado ao sucesso e cumprimento de meta, enquanto o contrário, a redução do número de alunos matriculados requer explicações e a necessidade destas suscita as ideias de fracasso ou de desculpas.

O material de apoio para a divulgação dos dados, produzido pelo INEP, expunha claramente os fatores que explicam o processo contínuo de redução da matrícula na Educação Básica: diminuição da população com idade ideal para escolarização, isto é, da população de 0 a 17 anos e declínio das taxas de reprovação dos estudantes ao longo das etapas da escolarização. [1]

Não obstante a explicação convincente para o comportamento do total da matrícula, perduraram dúvidas e alertas acerca do comportamento da matrícula, entre os anos de 2024 e 2025, nas etapas em que ela ainda não foi universalizada e, portanto, era esperado um crescimento, ainda que discreto. Abaixo detalharemos os números por etapas e modalidades da Educação Básica referentes ao Brasil e ao estado de Sergipe.

Comparando-se a matrícula total na Educação Básica, no Brasil, entre os anos de 2024 e 2025, podemos perceber uma redução de 2,3%, conforme os números do Quadro 1. Em Sergipe, no mesmo período, o decréscimo foi de 1,2%. Apesar de não ser uma diferença muito significativa, em termos percentuais, guardando o mesmo sentido de redução observado no contexto nacional, poderíamos indagar se não haveria maior espaço para redução da matrícula em Sergipe, visto o estado ainda apresentar taxas de reprovação escolar mais elevadas que as de âmbito nacional. [2]

Ao detalhar os dados da matrícula da Educação Básica por etapas e modalidades devemos chamar a atenção das diferenças nas situações de atendimento da população alvo e das características socioeconômicas da própria população.

No ensino regular, as etapas da Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio apresentam situações distintas de atendimento da população com idade de 0 a 17 anos, na qual deveria haver a matrícula, permanência, aprendizagem adequada e progressão para os anos escolares sucessivos até a conclusão do Ensino Médio.

A Educação Infantil compreende duas etapas distintas: a Creche para as crianças de 0 a 3 anos de idade e a Pré-Escola para as crianças de 4 a 5 anos de idade. O resultado para o Brasil foi desapontador, na medida em que houve uma redução de 2,2% na matrícula. Para Sergipe, o resultado foi melhor, visto que a matrícula se manteve praticamente com os mesmos números em 2024 e 2025.

A situação legal das duas etapas da Educação Infantil é distinta. A creche não é de matrícula obrigatória, mas os especialistas têm chamado a atenção para o elevado impacto que tem a frequência a estes estabelecimentos, especialmente pelas crianças oriundas dos segmentos mais carentes sob o aspecto socioeconômico, no desempenho escolar nas etapas subsequentes. O atual Plano Nacional de Educação fixou a meta de ao menos 50% das crianças na correspondente faixa etária matriculadas em creche. A meta não foi atingida, portanto era de se esperar um crescimento contínuo da matrícula. Para o Brasil como um todo houve uma surpreendente e preocupante redução da matrícula em creche entre 2024 e 2025. Sergipe apresentou uma situação melhor, houve um crescimento de 4% no mesmo intervalo. [3]

Quanto à matrícula na Pré-Escola houve redução tanto no Brasil (3,8%) quanto em Sergipe, embora em menor percentual (2,5%). A obrigatoriedade desta etapa foi fixada pela Emenda Constitucional N. 59 de 11 de novembro de 2009 e a meta de sua universalização foi fixada, conforme vimos, pelo atual Plano Nacional de Educação. A ampliação do atendimento foi interrompida pelos efeitos da pandemia da Covid 19. Entre 2014 e 2019, o percentual de crianças com 4 e 5 anos de idade frequentando escola ou creche aumentou de 89,1% para 94%. Nos anos imediatamente pós-pandemia o percentual oscilou abaixo do patamar de 94% e, somente, em 2024, ele foi superado se alcançando 94,6%. Portanto, há algum esforço ainda a ser feito para garantir a universalização da matrícula na etapa, cujas lacunas de atendimento comprometem o sucesso no processo de alfabetização dos segmentos socioeconômicos mais frágeis, conforme atestado pelo desempenho monitorado pelo Índice Criança Alfabetizada.

Os impactos da pandemia da Covid 19 sobre a matrícula no Ensino Fundamental no Brasil têm recebido menos atenção que os impactos sobre a aprendizagem nas etapas da Educação Básica submetidas às avaliações de larga escala. No entanto, eles foram relevantes, como atesta, por exemplo, o Balanço Técnico do PNE, elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP). O Brasil apresentou uma clara tendência à universalização do Ensino Fundamental entre os anos de 2012 e 2018, quando o percentual da população de 6 a 14 anos que frequenta ou já concluiu o Ensino Fundamental, cresceu de 96,7% para 98%. Nos anos seguintes esse percentual declinou até atingir o ponto inferior, em 2023, com 95,7%. Em 2024, houve uma leve inflexão, com o percentual atingindo 95,8%. Simultaneamente houve um impacto da aprovação automática, adotada na maioria das redes escolares nos anos de 2020 e 2021 e a continuidade de um processo mais duradouro de redução das taxas de reprovação.

Em síntese, numa etapa que se aproximava da universalização, o decisivo para o comportamento da matrícula era o total da população na idade correspondente e, como se sabe, a redução da população com idade entre 6 e 14 anos implicava redução da matrícula. Essa tendência foi perturbada pelos efeitos da pandemia da Covid19 sobre as matrículas escolares.

O efeito mais perturbador foi sobre os Anos Iniciais do Ensino Fundamental, com um atraso no ingresso na etapa, nos anos de 2020 e 2021 e reflexos nos anos seguintes. Provavelmente, o Censo Escolar de 2025 será o último a registrar aumento na matrícula para aquela etapa, verificada tanto para o Brasil como um todo, quanto para Sergipe, conforme números apresentados no Quadro 1.

Nos Anos Finais do Ensino Fundamental, Sergipe apresentou uma redução na matrícula de 2,9%, enquanto para o Brasil a redução foi de 1,8%. Em ambos os casos se somam a redução do contingente populacional na idade ideal para a escolarização com a redução nas taxas de reprovação, havendo mais espaço para o efeito taxa de reprovação em Sergipe por elas estarem por muito tempo acima das taxas médias vigentes no Brasil. [4]

A redução da matrícula no Ensino Médio foi a que chamou mais a atenção da imprensa, com alguma razão, visto ser etapa ainda distante da universalização da matrícula e ter recebido atenção especial do governo federal com o Programa Pé de Meia – incentivo financeiro aos estudantes economicamente mais carentes para a permanência e progressão. Para o Brasil, a redução da matrícula em relação ao ano de 2024 foi de 5,4% e para Sergipe de 1,8%. Tanto no Brasil como em outros países, estudos já mostraram que a necessidade de obter renda é um dos motivos para abandono da escola dos jovens mais carentes, mas não é o único. A percepção de que a escola não contribui muito para a melhoria das perspectivas de inserção no mercado de trabalho, o próprio ambiente escolar, por vezes não muito acolhedor, também explicam o abandono escolar. [5]

Quanto à matrícula no Ensino Profissional, em Sergipe o crescimento (52,8%) foi consideravelmente maior do que o crescimento relativo da matrícula no Brasil (4,2%), parecendo indicar que os jovens têm melhor avaliação da inserção no mercado de trabalho propiciada por esta modalidade do que a do Ensino Médio regular. Esta modalidade recebeu, recentemente, um forte impulso financeiro do governo federal com a renegociação das dívidas dos estados junto ao Tesouro Nacional, condicionada à utilização de parte das disponibilidades decorrentes da redução dos encargos da dívida a investimentos no Ensino Profissional. [6]

A redução da matrícula da modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA), um processo duradouro que vem ocorrendo em todo o País, atingiu Sergipe, em 2025, com menor intensidade. Para o Brasil, a redução foi de 5,8% e para Sergipe de 1,3%. A EJA Ensino Médio, sob a responsabilidade da rede estadual, apresentou redução mais expressiva que a EJA Ensino Fundamental, sob responsabilidade compartilhada dos municípios e do estado. Aliás, no caso de Sergipe, esta etapa da modalidade apresentou um crescimento de 7,2% contrariando a tendência de decréscimo de matrícula.

Finalmente, tanto no Brasil como em Sergipe o crescimento da matrícula em Educação Especial foi expressivo, indicando o incremento na capacidade das redes em atender o público com diferentes deficiências e transtornos.

Examinaremos os números absolutos, nos anos de 2024 e 2025, das diversas redes que atuam na Educação Básica sergipana, conforme apresentado nos quadros 2 e 3 e a variação deles no período, apresentada no quadro 4.

No Brasil, não obstante a obrigação do Estado oferecer Educação Básica em estabelecimentos oficiais, é facultada à iniciativa privada a oferta de ensino nas diversas etapas da Educação Básica, do Ensino Superior e ensino extraescolar. Como pode ser visto nos quadros abaixo, a rede privada, em Sergipe, esteve presente em todas as etapas e modalidades da Educação Básica. Quanto às redes públicas, há exclusividade de oferta das redes municipais na Educação Infantil. No Ensino Médio, há forte predomínio da rede estadual, secundada pela oferta da rede federal. No Ensino Fundamental, há predomínio das redes municipais e oferta em menor dimensão da rede estadual e relativamente pequena oferta da rede federal. Na Educação Profissional, a rede estadual predomina, mas há oferta importante da rede federal e menos numerosa das redes municipais. Finalmente, na Educação de Jovens e Adultos, os municípios predominam na oferta de matrículas nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental e a rede estadual no Ensino Médio.

No Quadro 4, podemos ver a variação da matrícula na Educação Básica sergipana das redes escolares entre os anos de 2024 e 2025, tanto no aspecto global quanto decomposto pelas etapas e modalidades em que cada rede atua.

A rede privada tem uma característica peculiar de estar presente em todas as etapas e modalidades da Educação Básica sergipana. Quanto ao total da matrícula, entre 2024 e 2025 apresentou uma redução de 2,3%, enquanto a matrícula total do estado exibiu, no mesmo período, redução de 1,2%. A etapa responsável pela maior parte da matrícula, o Ensino Fundamental, apresentou uma redução de 0,6%, concentrada nos Anos Finais (1,6), enquanto nos Anos Iniciais houve estabilidade. Na Educação Infantil também houve comportamento divergente entre suas duas etapas, enquanto a Pré-Escola apresentou um decréscimo de 6,6%, houve um crescimento de 9,1% na matrícula em Creche, mas no total da matrícula da Educação Infantil houve um recuo de 1,5%.

No Ensino Médio, a redução da matrícula na rede privada foi mais acentuada (6,3%) do que no total da rede pública ou da matrícula total do estado. Neste caso, além do fator demográfico, redução da população na faixa de escolarização ideal para a etapa, pode haver alguma migração de matrícula para a rede púbica, visto que a taxa de reprovação não parece ser relevante para a explicação da redução da matrícula. [7]

Como já mencionado, a rede privada está presente, em Sergipe, em todas as etapas e modalidades da Educação Básica, na maioria com pequena matrícula. Outra modalidade com participação relevante da rede privada é Educação Profissional, que apresentou no período analisado um crescimento na matrícula de 19%.

As redes públicas têm atuação mais segmentada por etapas e modalidades. As redes municipais sergipanas contrariaram a tendência dominante entre as outras redes de redução da matrícula ao apresentarem uma taxa de crescimento de 1%. Estas têm a maior participação no total da matrícula na Educação Básica e têm o monopólio, no âmbito da Educação Infantil Pública.

Entre 2024 e 2025 a matrícula na Educação Infantil municipal cresceu ligeiramente (0,6%), repetindo um padrão verificado na rede privada de decréscimo na matrícula da Pré-Escola (0,7%) e crescimento na matrícula em Creche (2,5%). Devemos observar que o decréscimo na matrícula na Pré-Escola, não obstante o possível fator demográfico deve ser motivo de preocupação dos dirigentes públicos da educação, visto que a Pré-Escola é obrigatória e ainda não teve a matrícula universalizada. Quanto à Creche, o pequeno crescimento da matrícula (2,5%), além de ser consideravelmente menor que o crescimento da matrícula na rede privada, está longe de garantir o atingimento da meta do Plano Nacional de Educação de ao menos 50% das crianças de 0 a 3 anos matriculadas. [8]

No Ensino Fundamental, enquanto para todas as redes escolares do estado de Sergipe houve uma redução de 1,1%, as redes municipais mantiveram a matrícula estável, com diferenças de comportamento entre os Anos Iniciais e Anos Finais. Quanto aos Anos Iniciais houve um crescimento de 2,7%, nos Anos Finais houve um decréscimo de 4%. Já mencionamos os efeitos da pandemia da Covid 19 sobre a matrícula nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental. No caso específico de Sergipe, há notícias de encerramento de turmas da rede estadual, em alguns municípios, deixando para eles a exclusividade da oferta de vagas públicas. Para os Anos Finais do Ensino Fundamental, a combinação do efeito da redução da população em idade escolar correspondente à etapa e a redução das taxas de reprovação explicam a redução em 4% da matrícula. [9]

Finalmente, as redes municipais sergipanas ampliaram a matrícula na modalidade Educação de Jovens e Adultos referente aos Anos Iniciais do Ensino Fundamental em 10,1%, contrabalançando a tendência das redes públicas em apresentar redução na matrícula da modalidade.

Quanto à rede estadual, houve uma redução de 4,5% da matrícula – a maior entre todas as redes da Educação Básica sergipana. No Ensino Fundamental a redução foi de 4,6%. No caso dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental a convergência dos efeitos da redução da população em idade escolar e alguma redução de matrícula em favor das redes municipais explicam boa parte do expressivo decréscimo da matrícula (10,7%). Há que se considerar, adicionalmente, a redução das taxas de reprovação que alcançava 8,7% dos estudantes matriculados, na etapa, em 2019, e foi reduzida a 1,2%, em 2024. Ressalte-se que este percentual de reprovação, ficou abaixo da média obtida pelas redes estaduais do Brasil no ano de 2024. [10]

Para os Anos Finais do Ensino Fundamental, a redução da matrícula foi relativamente menor (2,1%). Neste caso, devemos considerar a combinação dos efeitos da redução da população em idade escolar com a redução da taxa de reprovação, a qual passou de 22,1%, em 2019, para 6,4%, em 2024.[11] Por outro lado, em sentido contrário, isto é, promovendo a desaceleração na redução da matrícula, devemos considerar a redução da taxa de abandono, nessa rede e etapa, que em Sergipe, passou de 3,0%, em 2019, para 1,1%, em 2024. [12]

O Ensino Médio é a principal etapa quanto ao volume de matrículas da rede estadual em Sergipe. Entre 2024 e 2025 houve uma redução de 1,6% na matrícula. Apesar de ter sido consideravelmente menor que o percentual de decréscimo apresentado no Brasil, convém frisar um aspecto que exigiria maior crescimento da matrícula entre nós e fatores que dificultam sua concretização. A não expansão da matrícula no Ensino Médio na rede estadual sergipana é desapontador, na medida em que, em 2023, apresentamos uma das mais baixas taxas da população de 15 a 17 anos de idade que frequentava o Ensino Médio ou havia concluído a Educação Básica. Em Sergipe atingimos 62,8%, enquanto para o Brasil tínhamos 76,9%, na Região Nordeste 68,4% e no estado de São Paulo, 85,8%. Apesar de a evolução neste indicador ter sido considerável para Sergipe, entre 2012 e 2023 passamos de 43,3% para os mencionados 62,8%, ainda estamos longe de alcançar a meta do Plano Nacional de Educação. [13]

Por outro lado, para aumentar a matrícula no Ensino Médio é imprescindível aumentar as taxas de aprovação em todo o Ensino Fundamental e desenvolver programas de correção de fluxo para os estudantes que já se encontram em distorção idade-série.

A Secretaria Estadual de Educação desenvolve um programa de correção de fluxo e o estende às redes municipais que manifestarem interesse. Não obstante os avanços conseguidos, ainda são necessários esforços adicionais para reduzir a distorção idade-série nos Anos Finais do Ensino Fundamental para permitir uma trajetória ininterrupta de escolarização até a conclusão da Educação Básica que vislumbre o ingresso no Ensino Profissional ou Superior. A distorção idade-série nos Anos Finais do Ensino Fundamental, nas redes municipais de ensino de Sergipe foi reduzida de 47,1%, em 2019, para 30,2%, em 2025. Para o Brasil, nas mesmas condições, a distorção idade-série era de 30,7% e 19,5%, respectivamente. Na rede estadual de Sergipe, a distorção era de 38,7% e 19,9%, respectivamente, enquanto as redes estaduais brasileiras apresentavam nos mesmos anos as seguintes taxas: 22,3%, em 2019 e 12,9%, em 2025. Ou seja, tanto na rede estadual quanto nas redes municipais sergipanas a redução da distorção idade-série foi expressiva, contudo, principalmente nas redes municipais – as que possuem maior matrícula na etapa — as taxas de distorção idade-série nos Anos Finais do Ensino Fundamental ainda são consideravelmente mais elevadas que as vigentes no Brasil. Faz-se, portanto, necessário e urgente a ampliação dos programas de correção de fluxo nas redes públicas do estado de Sergipe, no Ensino Fundamental, sob pena de dificultar extremamente a elevação da matrícula no Ensino Médio. [14]

Vejamos um exemplo, que pode ser contraintuitivo para o público não especializado de redução da matrícula, ocorrida em Sergipe, que longe de ser indício de fracasso, é constatação de melhoria de um aspecto da escolarização recente.

A simples informação de que a matrícula, em Sergipe, nos Anos Finais do Ensino Fundamental foi reduzida de 146.120, em 2018, para 133.932, em 2025, ou seja, um decréscimo de 8,3%, aparenta fracasso. Examinando com cuidado o quadro, podemos perceber que não obstante a redução na matrícula total, o número de matriculados, nos oitavos e nonos anos, em 2025, era superior ao número de matriculados nos mesmos anos-séries escolares em 2018. Este aumento de matrícula, especialmente no nono ano, implica uma maior probabilidade de crescimento da matrícula na primeira série do Ensino Médio nos anos subsequentes e, portanto, de eficiência do sistema escolar, que com menor matrícula nos Anos Finais do Ensino Fundamental permite maior matrícula no Ensino Médio.

O crescimento da matrícula na rede estadual no Ensino Profissional (71,5%) foi muito expressivo e consideravelmente superior à taxa equivalente alcançada pelo Brasil (19%). Percentual tão elevado somente pode ser alcançado pela aceitação da modalidade pelos jovens à procura de melhor inserção no mercado de trabalho.

Finalmente, na Educação de Jovens e Adultos a rede estadual continuou perdendo matrículas, tanto no Ensino Fundamental quanto no Ensino Médio, ao contrário do verificado.

A rede federal, a que possui o menor número de matrículas, apresentou crescimento entre 2024 e 2025, especialmente no Ensino Profissional. O programa federal de expansão dos Institutos federais de educação, ciência e tecnologia tem permitido um crescimento sustentável das matrículas, a exemplo do verificado em outros estados.

O Brasil já tem uma experiência consolidada de realização anual do Censo Escolar. Os seus resultados, além de fornecerem subsídios para o monitoramento das políticas educacionais, constituem parâmetros para a redistribuição de recursos públicos para o financiamento da Educação Básica, através do FUNDEB, e permitem a geração de importantes indicadores educacionais, a exemplo das taxas de rendimento (aprovação, reprovação e abandono), taxas de distorção idade-série, tamanho médio das turmas etc.

Quanto às matrículas, provavelmente teremos de nos acostumar com a redução no total da Educação Básica, imposição da transição demográfica que estamos vivendo, mescladas com indagações sobre o comportamento das distintas etapas e modalidades que constituem a Educação Básica. O não atingimento da meta de 50% das crianças matriculada em Creche e de universalização da matrícula na Pré-Escola implicam a atenção e requer explicações acerca do seu não crescimento anual, até o atingimento das metas. No que diz respeito ao Ensino Fundamental devemos nos acostumar à constatação anual da redução da matrícula, monitorando o indicador taxa líquida de matrícula da população na idade ideal de frequência da etapa. O Ensino Médio, finalmente, é a outra etapa cujo não crescimento da matrícula precisa ser escrutinada com maior cuidado, visto ainda não estar universalizado na maior parte do Brasil.

Quanto a Sergipe, espero ter demonstrado que se aplica, com algumas nuances, as mesmas tendências verificadas nacionalmente de redução do total da matrícula na Educação Básica, de necessidade de crescimento da matrícula na Educação Infantil e no Ensino Médio. Quanto ao Ensino Médio, a expansão da matrícula na rede estadual e em todas as demais, depende fortemente da conclusão, em idade adequada, do Ensino Fundamental. Os avanços na redução da distorção idade-série da rede estadual, nos últimos anos, foram importantes. Em muito menor intensidade, eles também ocorreram nas redes municipais. O aprofundamento da colaboração do Estado com os seus municípios se impõe para remover o gargalo da conclusão do Ensino Fundamental, na idade ideal, visto serem os municípios detentores de um número maior de matrículas. Caso contrário, as melhorias continuarão a provavelmente ocorrendo, mas em um ritmo incompatível com a necessidade de retirar Sergipe da condição de uma das unidades da Federação com menores taxas líquidas de matrícula no Ensino Médio.

[1] INEP. O Censo Escolar de 2025. Divulgação dos resultados. Diretoria de Estatísticas Educacionais. Manaus. 26.02.2026. Disponível em: https://download.inep.gov.br/censo_escolar/resultados/2025/apresentacao_coletiva.pdf. Acesso em 03.03.2026.

[2] Para uma apresentação da evolução das taxas de rendimento (aprovação, reprovação e abandono) nas redes públicas sergipanas, vide. Josué Modesto dos Passos Subrinho. Redução da matrícula nas escolas públicas pode ser uma boa notícia. Saense. https://saense.com.br/2025/05/reducao-da-matricula-nas-escolas-publicas-pode-ser-uma-boa-noticia/. Publicado em 14 de maio (2025). Acesso em 03.03.2026.

[3] A meta 1 do Plano Nacional de Educação estabeleceu: “Universalizar, até 2016, a educação infantil para as crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade e ampliar a oferta da educação infantil em creches de forma a atender, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) das crianças de até 3 (três) anos até o final da vigência deste PNE.” Em 2024, a matrícula em creche atingiu 41,2% das crianças com a idade recomendada. Cf. INEP. Balanço Técnico do Plano Nacional de Educação. Disponível em: https://download.inep.gov.br/publicacoes/institucionais/plano_nacional_de_educacao. Acesso em 03.03.2026.

[4] Ainda não estão disponíveis as taxas de rendimento dos estudantes matriculados em 2025 (aprovação, reprovação e abandono). Para exemplificar vejamos a taxa de reprovação no Brasil, para os Anos Finais do Ensino Fundamental, todas as redes em 2019 e 2024 (8,29% e 4,8%) e em Sergipe, nas mesmas condições (18,2% e 8,8%). INEP. Painel INEP DATA. Disponível em: https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiN2ViNDBjNDEtMTM0OC00ZmFhLWIyZWYtZjI1YjU0NzQzMTJhIiwidCI6IjI2ZjczODk3LWM4YWMtNGIxZS05NzhmLWVhNGMwNzc0MzRiZiJ9. Consulta em 13.03.2026.

[5] Foi feita uma análise prévia dos efeitos do Programa Pé de Meia que concluiu que em todos os estados da Federação há um efeito positivo de permanência de estudantes beneficiários do programa que poderiam abandonar a escola. Cf. Abreu, Laura Almeida R. de e outros. Bolsa de estudos e evasão: avaliação de impacto ex-ante. Rio de Janeiro: Autografia, 2025.

[6] Programa de Pagamento de Dívidas dos Estados. Lei Complementar N. 212/2025 de 13 de janeiro de 2025. Disponível em: https://www.gov.br/fazenda/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/propag-renegociacao-de-dividas-de-estados-e-distrito-federal-com-a-uniao. Acesso em: 14.03.2026.

[7] Em 2019 a taxa de reprovação dos estudantes na rede estadual do Ensino Médio de Sergipe era de 14,2%, chegando a 6,0%, em 2024. Nos mesmos anos, em Sergipe, na rede privada, no Ensino Médio a taxa de reprovação passou de 4,5% para 2,0%. Cf. INEP DATA. Disponível em: https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiN2ViNDBjNDEtMTM0OC00ZmFhLWIyZWYtZjI1YjU0NzQzMTJhIiwidCI6IjI2ZjczODk3LWM4YWMtNGIxZS05NzhmLWVhNGMwNzc0MzRiZiJ9. Consulta em 13.03.2026.

[8] Em 2022, o percentual de crianças de 0 a 3 anos de idade que frequentava escola ou creche, em Sergipe, era de 33,6%, enquanto no Brasil era de 37,3%. INEP. Relatório do 5º. Ciclo de Monitoramento das Metas do Plano Nacional de Educação. 2024. Brasília, 2024.

[9] Em 2019, a taxa de reprovação nas redes municipais de Sergipe, para os Anos Finais do Ensino Fundamental, era de 21,4% e em 2024 era de 13,5%. No mesmo período, para o Brasil e nessa etapa, a taxa de reprovação foi de 10,0% e 6,6%, respectivamente. Cf. INEP DATA. Disponível em: https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiN2ViNDBjNDEtMTM0OC00ZmFhLWIyZWYtZjI1YjU0NzQzMTJhIiwidCI6IjI2ZjczODk3LWM4YWMtNGIxZS05NzhmLWVhNGMwNzc0MzRiZiJ9. Consulta em 13.03.2026.

[10] Idem, ibid.

[11] Para uma comparação, a taxa média de reprovação de todas as redes estaduais do Brasil, para essa etapa, era de 8,3% e 4,3%, respectivamente.

[12] No momento da elaboração deste artigo, março de 2026, ainda não estavam disponíveis os dados das taxas de rendimento (aprovação, reprovação e abandono) referentes ao ano de 2025.

[13] A meta 3 do Plano Nacional de Educação é: Universalizar, até 2016, o atendimento escolar para toda a população de 15 (quinze) a 7 (dezessete) anos e elevar, até o final de vigência deste PNE, a taxa líquida de matrícula no Ensino Médio para 85% (oitenta e cinco por cento). Cf. INEP. Relatório do 5º. Ciclo de Monitoramento das Metas do Plano Nacional de Educação. 2024. Brasília, 2024.

[14] Cf. INEP DATA. Disponível em: https://app.powerbi.com/view?r=eyJrIjoiN2ViNDBjNDEtMTM0OC00ZmFhLWIyZWYtZjI1YjU0NzQzMTJhIiwidCI6IjI2ZjczODk3LWM4YWMtNGIxZS05NzhmLWVhNGMwNzc0MzRiZiJ9. Consulta em 13.03.2026.

Como citar este artigo: Josué Modesto dos Passos Subrinho. A matrícula na educação básica em 2025. Os números do Brasil e de Sergipe. Saense. https://saense.com.br/2026/03/a-matricula-na-educacao-basica-em-2025-os-numeros-do-brasil-e-de-sergipe/. Publicado em 23 de março (2026).

Artigos de Josué Modesto dos Passos Subrinho Home