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13/10/2026

Riscos do uso da IA no manejo de demandas psicológicas
Foto: Ilustração ChatGPT

As ferramentas de Inteligência Artificial (IA) estão cada vez mais popularizadas para uso em diferentes fins. De acordo com a edição mais recente divulgada sobre o acesso às tecnologias de informação e comunicação no Brasil (TIC Domicílios 2025), as ferramentas de IA fazem parte da rotina de mais de um terço (32%) dos usuários de Internet no Brasil. Isso equivale, em números absolutos, a cerca de 50 milhões de pessoas de 10 anos ou mais. A principal razão de utilização desses mecanismos foi para fins pessoais, perfazendo 84% dos que usaram IA. Nessa seara, encontra-se uma importante questão: o uso de IA, como chatbots, para fins psicoterapêuticos, de auxílio para demandas psicológicas ou aconselhamento, substituindo, muitas vezes, o acolhimento especializado, é valido?

Atualmente, o amplo alcance de informação e conteúdo e o certo fascínio por perguntas e respostas instantâneas, disponíveis 24 horas em chatbots, muito frequentemente vêm desacompanhados de supervisão profissional e uso consciente e crítico. Encontram-se, nesses espaços, uma aparente segurança e a disponibilidade para acolher conflitos internos. Afinal, há a possibilidade de uma resposta rápida para toda e qualquer pergunta.

Há também os contextos social e econômico que compõem barreiras ao acesso gratuito e rápido ao cuidado em saúde mental no Brasil. É uma conduta ética, todavia, atentar as pessoas para os limites e perigos que envolvem o aconselhamento psicológico via IA e nas especificidades de cuidado em demandas psicológicas.

Os riscos do uso de chatbots incluem o de vieses de discurso único, falhas na leitura do contexto geral de vida da pessoa, das relações sociais e do sofrimento mental como conectado a diferentes fatores causadores ou potencializadores. Conforme o Conselho Federal de Psicologia (CFP), a superficialidade das respostas, os erros graves ou informações equivocadas (alucinações) e a tendência desses sistemas a concordarem automaticamente com o usuário (bajulação) podem trazer consequências sérias em contextos de crise emocional e diante de questões complexas relacionadas à saúde mental.

A cartilha Chatbots, Inteligência Artificial e sua Saúde Mental, desenvolvida pelo CFP em dezembro de 2025, informa diferentes riscos, como indução a comportamentos destrutivos, conselhos perigosos e endosso a ideias nocivas. Outro perigo é o possível fomento da IA a certa dependência emocional da pessoa com o chatbot, uma vez que cria a falsa impressão de que a IA é o “oráculo” e a panaceia atual.

Não é demais salientar que questões sensíveis e complexas de saúde mental demandam construção de vínculo, contextualização da história familiar e individual, observação clínica, por vezes, relatos de outras pessoas que convivem com o indivíduo, entre outras variáveis, para que se determine um diagnóstico, um plano individualizado de tratamento e uma conduta mais assertiva e eficaz.

Os processos em saúde mental requerem cuidado, empatia e formação especializada.

De todo modo, o potencial das IA para ampliar o acesso à informação, oferecer suporte inicial, dicas e até mesmo direcionamento não deve ser desconsiderado. O “Pode Falar”, atualmente integrado ao Meu SUS Digital, é um exemplo de chatbot utilizado como porta de entrada para escuta em saúde mental de jovens (13 a 24 anos). Esse chatbot oferece conteúdos e uma escuta digital inicial e pode encaminhar o usuário para teleatendimento humano. Há também uma ferramenta de IA que analisa mensagens para priorizar situações de maior risco, contribuindo para reduzir barreiras de acesso.

Ainda será necessária muita investigação científica sobre os efeitos de intervenções via chatbots, principalmente em longo prazo. A maior parte das evidências refere-se ao uso de plataformas como o “Pode Falar”, acima mencionado. Por isso, no momento não é possível extrapolar os resultados de chatbots terapêuticos para ferramentas generalistas de IA. O que se sabe é que o uso da IA em demandas psicológicas deve ser sempre acompanhado de cautela, consciência e atenção aos riscos e às limitações inerentes a essa tecnologia. [1], [2]

[1] Texto de Gabriella Koltermann

[2] Publicação original: https://www.ufrgs.br/jornal/riscos-do-uso-da-ia-no-manejo-de-demandas-psicologicas/

Como citar esta notícia: UFRGS. Riscos do uso da IA no manejo de demandas psicológicas. Texto de Gabriella Koltermann. Saense. https://saense.com.br/2026/10/riscos-do-uso-da-ia-no-manejo-de-demandas-psicologicas/. Publicado em 13 de outubro (2026).

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