UnB
06/12/2019

O dinamômetro vem com um kit e necessita do aplicativo de celular conectado via bluetooth para funcionar. Foto: Isabela Oliveira/Agência Facto

Realizar exercícios durante o período de internação na UTI pode ajudar na recuperação do paciente. A informação é do projeto Movimente sua UTI do Laboratório de Pesquisas Clínicas em Unidade de Terapia Intensiva da Universidade de São Paulo (USP), cujo foco é reabilitação e mobilidade precoce. 

Segundo a iniciativa, ficar no hospital em completo descanso pode afetar o organismo de maneira negativa, pois o repouso intensivo é capaz de prejudicar partes importantes do corpo, como coração, pulmão e membros, o que pode deixar o paciente bastante debilitado após a alta da UTI.

Ainda de acordo com o projeto Movimente sua UTI, exercícios simples realizados no período de internação tendem a aumentar a força do paciente e diminuir as complicações causadas pela falta de mobilidade, além de evitar o delirium (confusão mental) e diminuir os gastos com o tratamento e, até mesmo, o período total da internação. 

Com base nesses dados, surgiu o E-lastic, ferramenta criada para combater os malefícios do repouso intensivo. Ele é fruto da pesquisa de Fernanda Teles durante o mestrado em Educação Física pela UnB, em parceria com João Macedo, egresso do curso de Engenharia Elétrica na Universidade.

FUNCIONAMENTO – Composto por um aplicativo (disponível na App Store e Google Play) e um dinamômetro (aparelho que mede a força do paciente) conectados por bluetooth, o E-lastic é extremamente portátil, o que permite acoplá-lo à maca. Feito isso, o usuário pode realizar exercícios, com o acompanhamento do médico ou do profissional de fisioterapia, para que sua musculatura não fique tão comprometida. O E-lastic permite trabalhar determinados grupos musculares por meio de exercícios de força para pernas e braços, como puxadas, supinos, entre outros.

Já o aplicativo permite realizar avaliações de força e quantificar a faixa de intensidade que será usada no tratamento, identificar assimetria de força entre membros, quantificar a carga de qualquer fabricante de implementos elásticos, criar uma lista de exercícios para cada paciente dentro do aplicativo, e armazenar, por meio de gráficos, o desempenho obtido.  

“Uma pessoa jovem e saudável que fica de cama durante 20 dias pode perder 40% de massa muscular. Então, realizar o processo de fisioterapia na própria cama faz com que essa perda seja menos abrupta e a recuperação, mais rápida”, explica Fernanda Teles.

Além de autora da pesquisa, Fernanda é diretora-executiva da E-lastic, empresa que surgiu em 2016 como a startup E-sporte Soluções Esportivas, incubada no Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT). Um ano depois de sua criação, mudou o nome para E-lastic ao receber o Prêmio Tecnologias de Impacto em 2017 pelo produto de mesmo nome. Hoje a empresa fica no prédio da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec).

Segundo Fernanda Teles, o aparelho também pode ser útil em esportes de alto desempenho. “Um case de sucesso é o da Jady Malavazzi, atleta da seleção brasileira de ciclismo paraolímpico. Em 2018, quando fazíamos o protótipo do produto para o mercado, ela o levou para a Vila Olímpica nos Estados Unidos, onde não teria uma estrutura ideal de academia. Estava se recuperando de uma lesão e precisava se preparar para as Paraolimpíadas”, relembra.

A diretora afirma ainda que o E-lastic pode ser usado também para prevenir lesões. Por isso, João Romano, preparador físico do Joinville Esporte Clube, que disputou a série D do Campeonato Brasileiro de Futebol em 2019, optou por utilizar o aparato na pré e na pós-temporada de jogos para garantir a saúde muscular dos atletas.

O E-lastic já é usado também em diversas clínicas e hospitais de referência em reabilitação motora. Kleber Caiado é um dos fisioterapeutas que utiliza o equipamento, com resultados satisfatórios: “A demonstração da evolução do paciente por meio dos gráficos e a segurança em progredir nas cargas são grandes diferenciais do produto. Vemos que o paciente fica mais motivado a cada reavaliação”. 

UTILIZAÇÃO – O usuário precisa apenas baixar o aplicativo, conectá-lo ao dinamômetro por bluetooth e realizar os exercícios. A ferramenta armazena os dados avaliados, que podem ser visualizados em um gráfico. Além disso, é possível exportar essas informações por meio de relatório em PDF para o médico, fisioterapeuta ou outro profissional responsável pelo tratamento. As tabelas fornecidas pelo aparelho ajudam a interpretar os resultados, o que possibilita acompanhamento mais eficaz da recuperação do paciente.

Para ter acesso ao kit da E-lastic, é necessário fazer a locação do sistema por meio de planos que incluem mensalidade e taxa de adesão. O interessado recebe os acessórios e o dinamômetro, e tem garantia de todos os itens, além do acesso ao app com as funcionalidades exclusivas.

Mais informações sobre o E-lastic pelos telefones (61) 3347-9291/(61) 98548-1758 e pelo e-mail [email protected]. [1]  

[1] Texto de André Araújo e Juliana Eichler, da Agência Facto.

Como citar esta notícia científica: UnB. Aparelho desenvolvido na UnB ajuda na recuperação de pacientes em UTI. Texto de André Araújo e Juliana Eichler. Saense. https://saense.com.br/2019/12/aparelho-desenvolvido-na-unb-ajuda-na-recuperacao-de-pacientes-em-uti/. Publicado em 06 de dezembro (2019).

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