Claudio Macedo
14/02/2023

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Pesquisadores da Universidade Harvard dos Estados Unidos descobriram que os estudantes universitários aprendem mais em aulas em que são utilizadas metodologias ativas do que nas que utilizam metodologias passivas (aulas expositivas). Contudo, os estudantes têm a percepção de que aprendem mais nas aulas expositivas. [1]

A descoberta é surpreendente, pois apresenta um outro olhar sobre as dificuldades nas mudanças de metodologia em sala de aula. Inúmeros trabalhos têm demonstrado que o uso de metodologias ativas promove um aprendizado mais robusto em comparação com o do aprendizado baseado em aulas expositivas. Mas essa vantagem, cientificamente comprovada, não é percebida de forma espontânea pelos estudantes.

A pesquisa foi feita com cerca de 150 alunos de Introdução à Física da Universidade Harvard. Os alunos foram divididos em duas turmas, A e B, com metade dos alunos em cada uma delas. Os alunos da turma A tiveram aula de equilíbrio estático com metodologia ativa, enquanto os alunos da turma B tiveram aula expositiva do mesmo assunto. Depois, os alunos da turma A tiveram aula expositiva de fluidos e os alunos da turma B tiveram aula, do mesmo tópico, com metodologia ativa.

Os professores das turmas A e B eram igualmente experientes em aulas expositivas e em metodologias ativas.

Os alunos de ambas as turmas receberam o mesmo material didático (slides das preleções e apostilas). As apostilas continham os conceitos-chave e as equações, juntamente com problemas direcionados a objetivos de aprendizagem específicos, além de possuírem espaços em branco para os alunos fazerem anotações e preencherem as respostas dos problemas.

Na aula expositiva, o professor apresentou slides, deu explicações e demonstrações e resolveu os problemas enquanto os alunos ouviram e preencheram as respostas junto com o professor.

Na aula com metodologia ativa, o professor envolveu ativamente os alunos. Eles foram instruídos a resolver os problemas trabalhando juntos em pequenos grupos, enquanto o professor percorria a sala fazendo perguntas e dando assistência. Depois que os alunos tentaram resolver os problemas, o professor forneceu as soluções completas idênticas às soluções dadas ao grupo que teve aula expositiva.

Em síntese, nas aulas expositivas, os alunos foram informados diretamente sobre como resolver cada problema, e nas aulas com metodologia ativa os alunos tentaram resolver os problemas sozinhos em pequenos grupos antes de receber a solução.

Após as aulas, os alunos de ambas as turmas responderam um questionário em que indicaram com qual das duas metodologias eles acharam que tinham aprendido mais e, a seguir, fizeram um teste de múltipla escolha sobre os assuntos estudados.

As respostas dos questionários mostraram que a maior parte dos alunos considerou que tinha aprendido mais nas aulas expositivas do que nas aulas com metodologia ativa, enquanto os testes indicaram o contrário, isto é, em sua maioria os alunos de ambas as turmas aprenderam mais nas aulas com metodologia ativa.

Os autores da pesquisa chegaram à conclusão de que quando os alunos experimentam o aumento do esforço cognitivo associado ao aprendizado ativo, eles inicialmente consideram, erroneamente, esse esforço como sendo um aprendizado menos eficiente. Além disso, é fato que professores muito cativantes ministrando aulas expositivas favorecem um sentimento positivo de aprendizagem no ambiente passivo.

Esse trabalho reforça a importância de se ampliar o uso de metodologias ativas nas salas de aula, mesmo considerando a possível preferência dos alunos por aulas expositivas. Alunos e professores sabem que boa parte do tempo em sala de aula com metodologias passivas não é plenamente aproveitado na aprendizagem. Metodologias ativas podem mudar essa realidade para melhor em todos os níveis de ensino. É preciso tornar mais eficiente, em termos de aprendizagem, o tempo do estudante em sala de aula.

[1] Foto: Wikimedia Commons, Domínio público

[2] L. Deslauriers. Measuring actual learning versus feeling of learning in response to being actively engaged in the classroom. PNAS. https://doi.org/10.1073/pnas.1821936116 (2019).

Como citar este artigo: Claudio Macedo. Aprendizagem ativa. Saense. https://saense.com.br/2023/02/aprendizagem-ativa/. Publicado em 14 de fevereiro (2023).

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