ESO
12/09/2023

Crédito: ESO/A. Cikota et al.

Podemos ver várias galáxias nesta Fotografia da Semana, mas a mais interessante é provavelmente aquela que se encontra rodeada por quatro pontos azuis claros e que parece uma flor com pétalas azuis. Mas serão estes pontos reais? Sim e não… Obtida com o Very Large Telescope (VLT) do ESO, esta imagem mostra algo que designamos por Cruz de Einstein.

As quatro ‘pétalas’ são imagens de uma galáxia distante escondida por trás da galáxia central cor de laranja. O que está a acontecer, e que nos permite detectar a luz deste objeto escondido, é que a galáxia do centro atua como uma lente gravitacional, curvando à sua volta a luz emitida por uma galáxia distante. Como resultado deste processo vemos várias imagens da galáxia distante, distorcidas e aumentadas. Na configuração especial destas duas galáxias, a que se encontra por detrás aparece-nos em quatro imagens que rodeiam a galáxia ‘lente’ central, formando um padrão em forma de cruz (ou flor), ao qual chamamos Cruz de Einstein. O fenómeno de lente gravitacional permite-nos descobrir galáxias escondidas que, de outro modo, nos seriam impossíveis de observar.

As observações deste sistema foram levadas a cabo pelo instrumento MUSE (Multi Unit Spectroscopic Explorer) montado no VLT do ESO, no Chile. O MUSE separa a luz que nos chega de cada ponto da área que está a ser observada num espectro (ou arco-íris), o que fornece aos astrónomos uma quantidade enorme de informações sobre os objetos que se encontram no campo de visão. Os resultados destas observações, apresentados num novo artigo científico, cujo autor principal é Aleksandar Cikota do Observatório Gemini, no Chile, mostram que a galáxia distante está a formar estrelas a uma taxa elevada [1]. Uma vez que a luz deixou esta galáxia quando o Universo tinha cerca de 2% da sua idade atual, o seu estudo dá-nos pistas sobre como é que as galáxias se formaram no Universo primordial. [1], [2]

[1] A expansão do Universo faz com que as galáxias distantes pareçam mais vermelhas do que se estivessem mais próximo de nós. Assim, o facto das quatro imagens da galáxia distante nos aparecerem azuis deve-se à presença de estrelas jovens neste objeto. A galáxia “lente” central está mais perto de nós, mas aparece-nos vermelha uma vez que é essencialmente composta por estrelas velhas.

[2] Publicação original: https://www.eso.org/public/portugal/images/potw2337a/

Como citar este texto: ESO. Uma flor com quatro pétalas. Saense. https://saense.com.br/2023/09/uma-flor-com-quatro-petalas/. Publicado em 12 de setembro (2023).

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