Portal de Periódicos da CAPES
22/04/2019

Desigualdade social impacta diretamente na saúde de adolescentes brasileiros (Foto: PX Here)

Apesar de alguns progressos, o Brasil ainda é um dos países que apresentam maiores níveis de desigualdades em diversos âmbitos. Com esse ponto de partida, um grupo de pesquisadores avaliou tendências de comportamentos referentes à extensão das desigualdades socioeconômicas na saúde dos adolescentes no Brasil. Os resultados do artigo Progress and setbacks in socioeconomic inequalities in adolescent health-related behaviours in Brazil: results from three cross-sectional surveys 2009–2015 foram publicados pela revista científica BMJ Open – disponível no Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

De acordo com Catarina Azeredo, uma das autoras da investigação, a pesquisa foi motivada pela escassez de estudos que monitoram a desigualdade na saúde do adolescente em países de renda média e baixa. “O Brasil ainda é um dos países mais desiguais do mundo, embora tenham sido adotados consideráveis esforços de proteção social nas últimas décadas. Alguns programas sociais tiveram impactos positivos na saúde do adulto, especialmente entre aqueles com menor nível socioeconômico. No entanto, a extensão das desigualdades na saúde do adolescente e como isso mudou ao longo do tempo não era claro”, pontuou.

Dessa forma, segundo a cientista, o intuito do trabalho é “monitorar a distância entre os grupos menos e mais favorecidos economicamente para diversos comportamentos que constituem fatores de risco para a saúde dos adolescentes”. Para o período de 2009 a 2015, os dados mostram uma redução da desigualdade, ou seja, da distância entre adolescentes de menor e maior nível socioeconômico para comportamentos de estilo de vida (como consumo de frutas, feijão e refrigerantes) e para o uso de álcool.

Por outro lado, os registros mostram aumento na desigualdade para violência. “Nossos dados mostram que, em 2015, os adolescentes mais pobres apresentavam menor consumo regular de hortaliças e frutas, menor realização de atividade física de lazer, maior envolvimento em sexo desprotegido e eram mais afetados por bullying, violência doméstica, envolvimento em brigas com o uso de armas, uso de cigarros e drogas“, sinaliza Azeredo.

A pesquisadora explica que os resultados ressaltam a maior vulnerabilidade a múltiplos fatores de risco que os adolescentes mais pobres estão sujeitos. “Mesmo para alguns indicadores em que observamos redução da desigualdade, essa se deu por um aumento na adoção de comportamentos de risco pelos mais pobres. Por exemplo, houve um aumento no consumo de refrigerante entre os mais pobres e uma redução do consumo entre os mais ricos. Ou seja, a redução da desigualdade, nesse caso, não ocorreu por uma melhora no estilo de vida dos mais pobres, mas ao contrário”, indica.

“O potencial impacto dos resultados alcançados é informar políticos, pesquisadores e profissionais de saúde sobre o aumento na vulnerabilidade social entre adolescentes brasileiros para um amplo conjunto de fatores de risco à saúde. As evidências produzidas servem de subsídio para o planejamento de políticas de saúde direcionadas ao grupo com menor nível socioeconômico, como forma de evitar uma piora nos indicadores de morbidade e mortalidade não só na adolescência, mas também na vida adulta”, analisa a autora. [1]

[1] Esta notícia científica foi escrita por Alice Oliveira dos Santos.

Como citar esta notícia científica: Portal de Periódicos da CAPES. Desigualdade social impacta diretamente na saúde de adolescentes brasileiros. Texto de Alice Oliveira dos Santos. Saense. https://saense.com.br/2019/04/desigualdade-social-impacta-diretamente-na-saude-de-adolescentes-brasileiros/. Publicado em 22 de abril (2019).

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