Embrapa
03/04/2024

Foto: Samuel Vasconcelos

A agricultura irrigada brasileira também vem sendo impactada, nos últimos anos, pelas soluções digitais desenvolvidas para os produtores rurais que necessitam dos dados sobre os solos, clima e outras necessidades específicas para diferentes culturas agrícolas. Há disponibilidade de sensores e equipamentos para coleta de dados que permitem monitorar a planta, o solo e o próprio clima, safra após safra.

Prestadores de serviços coletam, transmitem, armazenam, processam e analisam os dados digitais e comunicam aos irrigantes a tomada de decisão sobre quando e quanto irrigar. Trata-se de uma irrigação digital, ou seja, que se valeu da digitalização para que fosse decidida e realizada a aplicação de água. Mas nem todo irrigante tem acesso ou está preparado para utilizar as chamadas tecnologias digitais.

O estudo “Tendências, desafios e oportunidades da Agricultura Digital no Brasil”, realizado pela Embrapa em 2020, mostra que 84% dos produtores rurais entrevistados já adotavam algum tipo de tecnologia digital. As soluções incluíam aplicativos para celular e sensores instalados no campo. Entre as dificuldades para acesso e uso das tecnologias digitais, 41% dos entrevistados relataram a falta de conhecimento sobre as tecnologias mais apropriadas, e 36 % a falta de capacitação própria.

Vale destacar que o devido conhecimento sobre o que uma determinada tecnologia significa e o seu potencial, pode levar ou não à sua utilização adequada ou mesmo sua aceitação pelo produtor rural. Na agricultura, muitos dados referentes ao campo agropecuário estão sendo coletados na ponta da caneta ou de forma analógica e transformados em dígitos, ou então, já estão sendo coletados digitalmente.

No Brasil, essa situação varia de estado a estado ou até mesmo de cultura a cultura, dependendo do valor agregado que pode ser obtido pelo produto agrícola, da extensão da área agrícola e da infraestrutura de comunicação disponível.

Pode-se dizer que há um risco dos benefícios que a agricultura digital pode oferecer não serem aproveitados por uma parcela significativa de irrigantes, caso haja uma deficiência quanto ao conhecimento sobre como usar ferramentas digitais e não sejam fornecidas ferramentas facilmente utilizáveis pelos produtores, principalmente os que não têm familiaridade com a agricultura digital, ou seja, o irrigante “analógico”.

A consequência é que um número elevado de produtores pode não alcançar tanto a eficácia (tomar uma decisão correta) quanto a eficiência (fazer bem aquilo que foi decidido fazer) na irrigação, ou seja, definir quando e quanto irrigar. A tecnologia por si só não garante a obtenção dos benefícios que ela pode oferecer a quem a usa. A difusão e a transferência de conhecimento, bem como a capacitação do usuário, devem fazer parte da inclusão digital do produtor irrigante. [1], [2]

[1] Texto de Luís Henrique Bassoi (Pesquisador da Embrapa Instrumentação)

[2] Publicação original: https://www.embrapa.br/en/busca-de-noticias/-/noticia/87863722/artigo—o-desafio-da-irrigacao-digital

Como citar este texto: Embrapa. O desafio da privacidade digital. Texto de Luís Henrique Bassoi. Saense. https://saense.com.br/2024/04/o-desafio-da-privacidade-digital/. Publicado em 03 de abril (2024).

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