Embrapa
23/04/2024

O produto surgiu a partir de uma prospecção de bactérias para identificar microrganismos antagônicos a fungos que interferem na germinação e emergência das plântulas de soja. Foto: Innova Agrotecnologia

Resultado de uma parceria da Embrapa com a empresa privada Innova Agrotecnologia, o Combio é o primeiro bioinsumo para a soja brasileira com duas funções: estimulação de crescimento e proteção contra fungos. O produto é uma combinação de três estirpes bacterianas que atuam na fixação biológica de nitrogênio e na promoção de crescimento de plantas: BR 29 (Bradyrhizobium elkanii), BR 10788 (Bacillus subtilis) e BR 10141 (Paraburkholderia nodosa). “O diferencial desse inoculante é que colocamos bactérias que desempenham vários mecanismos estimuladores e que também protegem as sementes na fase de emergência do solo, evitando ataque de fungos oportunistas”, detalha o pesquisador Jerri Zilli, da Embrapa Agrobiologia (RJ), um dos responsáveis pela pesquisa.

Testes de campo desenvolvidos pela Innova Agrotecnologia revelaram aumento de 10% no rendimento de grãos. Nem mesmo a forte estiagem ocorrida na safra 2020/2021, a exemplo do que ocorreu no estado de Mato Grosso, impediu o efeito satisfatório do bioinsumo. No Paraná, uma lavoura sem qualquer inoculante apresentou rendimento de 61 sacas por hectare, outra com coinoculação tradicional rendeu 63 sacas e a área com o Combio teve rendimento de 66 sacas. “Nossa intenção não é confrontar os inoculantes que estão no mercado. O objetivo é incentivar um manejo que evite fungicidas químicos, considerados agressivos à bactéria rizóbio”, pontua Zilli.

O produto surgiu a partir de uma prospecção de centenas de bactérias com o objetivo de encontrar microrganismos antagônicos a fungos que interferem na germinação e emergência das plântulas de soja na lavoura. Atualmente, para garantir o bom stand de plantas, praticamente 100% das lavouras de soja no Brasil recebem tratamento de sementes com fungicidas químicos, que, na maioria das vezes, são prejudiciais ao Bradyrhizobium. “Durante o estudo, verificamos que Bacillus subtilis Paraburkholderia nodosa apresentavam grande potencial antagônico a fungos e, além disso, estimulavam as plantas por meio de diversos mecanismos, culminando em plântulas mais uniformes e com maior vigor”, explica Zilli.

Constatada a característica de proporcionar o crescimento das plantas de soja, as bactérias foram consorciadas ao Bradyrhizobium, imprescindível para o aporte de nitrogênio à cultura. Após os testes em casa de vegetação e em campo, constatou-se que as plantas inoculadas com o Combio desenvolveram-se de forma superior comparativamente à inoculação padrão com Bradyrhizobium, e apresentaram ampla nodulação e sanidade.

O pesquisador da Embrapa Luís Henrique Soares de Barros acredita que o Combio possa substituir com vantagens o inoculante tradicional na cultura da soja, que contém apenas o microrganismo específico destinado à fixação biológica de nitrogênio. “O Combio tem, além do microrganismo simbionte, duas outras estirpes, que valorizam a promoção do crescimento e conferem maior vigor para a cultura, por meio de atuação bioquímica complementar à planta”, revela.

Os testes para validação do efeito de antagonismo a fungos para fins de registro como fungicida biológico estão em andamento e seguindo a legislação vigente. A expectativa dos pesquisadores envolvidos é que esse diferencial seja totalmente comprovado e que, em breve, o produto possa ser oferecido como o primeiro bioinsumo multifuncional para a soja. “Agregamos duas funções em um único produto, o que confere maior praticidade. Com menos uma etapa no campo, o agricultor tem menos trabalho”, frisa Barros.

Atualmente, o produto tem um registro especial temporário e está sendo ofertado como inoculante com ação na fixação biológica de nitrogênio e na promoção de crescimento de plantas de soja. Para ser comercializado como biofungicida, precisa ainda cumprir algumas exigências da atual legislação brasileira. A expectativa é que essa nova tecnologia esteja disponível nas próximas safras.

Ação do Combio

O bioinsumo Combio é um inoculante líquido para ser aplicado via tratamento de sementes ou mesmo no sulco de plantio. A estirpe BR 29 (Bradyrhizobium) atua na formação de nódulos e fixação do nitrogênio. As estirpes BR 10788 (Bacillus) e BR 10141 (Paraburkholderia) atuam no estímulo ao crescimento de plantas e protegem as sementes pela sua capacidade antagonista.

O desenvolvimento de um insumo biológico multifuncional para a cultura da soja vai ao encontro das perspectivas do mercado, que busca cada vez mais por soluções tecnológicas sustentáveis para controlar pragas e doenças e aumentar a produtividade. A vantagem é a redução no uso de fertilizantes nitrogenados e produtos químicos para controle de pragas e doenças, o que implica uma agricultura ambientalmente mais amigável.

Para outras informações comerciais sobre o Combio, os produtores devem entrar em contato com a Innova Agrotecnologia. [1], [2]

[1] Texto de Ana Lúcia Ferreira e Liliane Bello

[2] Publicação original: https://www.embrapa.br/en/busca-de-noticias/-/noticia/88418692/pesquisa-desenvolve-primeiro-bioinsumo-com-dupla-funcao-para-a-cultura-da-soja

Como citar este texto: Embrapa. Pesquisa desenvolve primeiro bioinsumo com dupla função para a cultura da soja. Texto de Ana Lúcia Ferreira e Liliane Bello. Saense. https://saense.com.br/2024/04/pesquisa-desenvolve-primeiro-bioinsumo-com-dupla-funcao-para-a-cultura-da-soja/. Publicado em 23 de abril (2024).

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