Portal de Periódicos da CAPES
09/08/2019

Foto: Google Imagens

O abacaxi é o principal elemento comestível da família Bromeliaceae, muito cultivado em vários países tropicais e subtropicais. Utilizada como planta medicinal em várias culturas, a fruta apresenta suas qualidades medicinais atribuídas à bromelina – extrato bruto que contém, entre outros compostos, três proteinases. Um recente estudo sobre o assunto está disponível no Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), especificamente na revista científica Peptides.

De acordo com a pesquisa Enkephalin related peptides are released from jejunum wall by orally ingested bromelain, a bromelina é quimicamente conhecida desde 1875 e é usada como um composto fitoterápico. Mas, afinal, a bromelina tem mesmo efeito analgésico? E, se assim ocorrer, qual o mecanismo que gera esta ação? O trabalho descreve algumas evidências para responder às questões. “Verificamos que a bromelina comercial e purificada tem nítido efeito analgésico nos modelos clássicos de dor em camundongos”, conta o professor Luiz Juliano, usuário do Portal de Periódicos da CAPES e um dos autores do estudo.

“Iniciamos a procura do mecanismo da ação analgésica olhando inicialmente a especificidade da bromelina por substratos, isto é, quais sequencias de aminoácidos que a bromelina tem preferência para hidrolisar. Três publicações de grupos distintos usando peptídeos fluorescentes ou bibliotecas dos mesmos mostram a alta preferência por hidrolisar as sequencias contendo pares dos aminoácidos básicos Arginina e Lisina”, pontua o pesquisador.

Outra consideração relevante foi que hormônios de natureza proteica ou peptídica são sintetizados na forma de pro-hormônios e para gerar os hormônios ativos requerem processamento. “Isto é executado por proteólise seletiva, sendo o exemplo clássico a proinsulina – que requer a ação de duas serino-proteases pertencentes à família das subtilisinas, denominadas Proprotein Convertases (PCs), para transformá-la em insulina”, exemplifica Luiz Juliano.

“O trabalho não só explica o mecanismo de ação da bromelina, como também nos instiga a examinar a interação do conteúdo intestinal com a parede do intestino. A bromelina pode ser uma ferramenta muito útil para tal”, indica o cientista. Ele finaliza: “no conteúdo intestinal, além dos alimentos, devemos atentar também para a microbiota e seus produtos que seguramente geram enzimas proteolíticas. Estas também podem resultar em respostas fisiológicas de alta relevância, tal como dor e inflamação, mas também respostas imunológicas”.

Acesso à pesquisa
Luiz Juliano categoriza o Portal de Periódicos da CAPES como fundamental para a ciência brasileira. Como usuário, ele utiliza a biblioteca virtual principalmente para ter acesso às publicações científicas e julga que o conteúdo disponível em sua área de atuação é bastante satisfatório. “O acesso às revistas internacionais e às teses desenvolvidas no país são, no meu ponto de vista, o principal atrativo do Portal”, acentua.

O artigo Enkephalin related peptides are released from jejunum wall by orally ingested bromelain foi publicado pela revista científica Peptides. Trata-se de um periódico internacional que apresenta contribuições originais sobre bioquímica, fisiologia e farmacologia de peptídeos ativos biológicos, bem como suas funções relacionadas à gastroenterologia, endocrinologia e efeitos comportamentais. A publicação pode ser acessada pela opção buscar periódico do Portal – pelo título ou código ISSN 0196-9781. Há ainda a opção de acessar diretamente o artigo, inserindo o título, nome do autor ou palavras-chave na opção buscar assunto.

Além de Luiz Juliano, o trabalho conta com a autoria dos pesquisadores Paulo Eduardo Orlandi-Mattos, Rodrigo Barbosa Aguiar, Itabajara da Silva Vaz Junior, Jane Zveiter Moraes, Elisaldo Luiz de Araújo Carlini e Maria Aparecida Juliano. [1]

[1] Esta notícia científica foi escrita por Alice Oliveira dos Santos.

Como citar esta notícia científica: Portal de Periódicos da CAPES. Poder analgésico do abacaxi é cientificamente comprovado. Texto de Alice Oliveira dos Santos. Saense. https://saense.com.br/2019/08/poder-analgesico-do-abacaxi-e-cientificamente-comprovado/. Publicado em 09 de agosto (2019).

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