UnB
16/04/2020

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Grace Ghesti, Cristina Quintella, Ana Maria da Mata e Pedro da Mata

O recente surto de Coronavírus gerou uma pandemia mundial. Este artigo consiste em um estudo exploratório para avaliar parcialmente o volume existente de material e o potencial de aprofundar futuras prospecções tecnológicas. O propósito deste estudo é o de pré-avaliar o conhecimento que existe em ciência (por meio de artigos), em tecnologia (por meio de patentes) e em testes clínicos e prontos para uso (por meio de vacinas disponíveis no mercado). Os artigos foram mapeados na Web of Knowledge, o mapeamento patentário usou a base Worldwide europeia, usando o software Orbit®.

Os estudos clínicos utilizaram a base de dados dos Estados Unidos da América (EUA). Foram encontradas 991 patentes, 125 artigos e 115 estudos clínicos sendo apenas dois que se referem explicitamente a vacinas. A evolução anual mostra um crescimento exponencial a partir de 2002-2004 para artigos e para patentes. A grande maioria dos estudos clínicos nem foi ainda iniciada (apenas 15% foram completados), evidenciando que há necessidade urgente de estimular sua maturação. Não existe, no momento, no mercado, uma vacina que seja considerada efetiva mundialmente.

Vários Coronavírus descobertos inicialmente em aves domésticas causam doença respiratória, gastrointestinal, hepática e neurológica nos animais. Três desses Coronavírus estão nesta data identificados como causadores de infeção respiratória grave em humanos que pode ser fatal: SARS-CoV (SARS), Mers-CoV (MERS) e o novo SARS-CoV-2 (COVID-19) (LAI et al., 2020).

O SARS foi identificado pela primeira vez na província de Guangdong, na China, tendo infectado mais que 8.000 pessoas com uma letalidade de 7%, e foi contido em 2003 (PEERI et al., 2020).

O MERS foi identificado em 2012 como a causa da síndrome respiratória do Médio Oriente, foram confirmados laboratorialmente 2.494 casos e a taxa de letalidade foi de 34% (PEERI et al., 2020).

O COVID-19 foi identificado na província de Wuhan na China em dezembro de 2012 (PEERI et al., 2020). A febre é o sintoma mais comum, seguido de tosse, a afetação bilateral dos pulmões é o resultado mais encontrado nas imagens de tomografia computadorizada nos pacientes infectados (LAI et al., 2020).

Em 1º de fevereiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS), pela sexta vez, decretou estado de emergência devido ao COVID-19 (LAI et al., 2020). Esse vírus apresenta maior possibilidade de transmissão do que os demais, como se pode ver pelo número total de casos apresentado na Figura 1, tendo em vista que o surto se iniciou há apenas três meses.

Figura 1 – Número total de casos do SARS, MERS e COVID-19 na data de 12 de março de 2020, dados adaptados da OMS

Fonte: OMS-1 (2020)

De meados de dezembro de 2019 até o presente momento (14 março de 2020), foram confirmados mais de 142.000 casos, com 5.393 mortes, ou seja, uma taxa de letalidade de 3,8%, totalizando mais de 135 países/territórios/áreas infectados. Nota-se que os dados iniciais em 12 de fevereiro, com casos majoritariamente asiáticos, indicavam uma taxa de mortalidade de 2,5% (LAI et al., 2020). A alta da taxa de letalidade após os casos na Itália ainda não foi explicada, algumas hipóteses são o fato de a Europa ter a maior percentagem de população acima dos 65 anos, faixa etária na qual a doença se torna mais letal, e ter menores medidas de contenção ou mutação do vírus. Em 11 de março, o Diretor-Geral da OMS caracterizou o COVID-19 como uma pandemia.
 
Em 13 de março declarou-se que a Europa se tornou o epicentro da transmissão, com maior taxa de casos e mortes notificados no mundo (OMS, 2020a).

A situação é caótica, pois a transmissão do Coronavírus ocorre pela via respiratória de se- res humanos em contato próximo ou por secreções produzidas durante os episódios de tosse, espirros e coriza. Os sintomas clínicos mais recorrentes são a infecção respiratória aguda grave, que provoca grande dificuldade respiratória, além de febre e tosse. Pessoas que apresentem esses sintomas devem procurar, com urgência, assistência hospitalar (PANG, 2020). Porém, sabe-se que há limitações de instalações hospitalares e profissionais habilitados para atender a demanda crescente. Em função disso, países estão adotando várias medidas preventivas, por exemplo, a limitação ou interrupção de voos internacionais, a fim de conter a disseminação.

Logo, o mais indicado é o desenvolvimento e uso de vacina a fim de conter o aumento de casos. Existem 15 tecnologias de vacinas possíveis em todo o mundo em diferentes estágios de desenvolvimento, as quais apresentam uma ampla gama de tecnologias, como: RNA mensageiro, baseado em DNA, nanopartículas, partículas sintéticas e modificadas como vírus, entre outras. Ainda é necessário, no mínimo, um ano para a validação dos resultados a fim de dar início aos ensaios clínicos de fase 1 (PANG, 2020).

O nível de maturidade tecnológica ou prontidão tecnológica (TRL) valida o conhecimento levando o seu uso pela sociedade (QUINTELLA et al., 2019). Saber os vários níveis de TRL existentes é essencial para que se consiga obter as vacinas adequadas com o intuito de parar a pandemia e, no futuro, prevenir novos surtos. Este artigo consiste em um estudo exploratório que mapeia parcialmente artigos (TRL3), patentes (TRL4 e TRL5), testes clínicos (TRL6 a TRL8) e vacinas no mercado (TRL9) sobre o Coronavírus.

O presente estudo é de natureza exploratória e foca em qual volume parcial de conhecimento existe, hoje, em diversos graus de maturidade tecnológica de TRL3 até TRL9, que pode ser utilizado para, enfim, apresentar as perspectivas e as tendências mais recentes no desenvolvimento dessa tecnologia no futuro.

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[1] Imagem de Pete Linforth por Pixabay.

[2] Grace Ferreira Ghesti é bacharel, mestra e doutora em Química. Leciona no curso de Graduação em Química da Universidade de Brasília e no Programa de Mestrado Profissional em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação (PROFNIT). Comissão Técnica Nacional de Editoração e Publicações do PROFNIT/FORTEC.

[3] Cristina M. Quintella possui doutorado Interdisciplinar em Ciências Moleculares pela University of Sussex, UK (1993). Editora-Chefe da Revista Cadernos de Prospecção. Comissão Técnica Nacional de Editoração e Publicações do PROFNIT/FORTEC.

[4] Ana Maria Tavares da Mata é doutora em Engenharia do Ambiente, Leciona na ESTSetúbal, Instituto Politécnico de Setúbal, investigadora do CINEA-IPS e do IBB – Instituto de Bioengenharia e Biociência (IST, UL). Conselho Editorial da revista Cadernos de Prospecção.

[5] Pedro Miguel de Assis Lopes Tavares da Mata é graduado em Medicina com especialização em Medicina Interna e Geriatria (1992) no Hospital da Clínicas de São Paulo. Especialização em Homepatia (1995) na Associação Paulista de Homeopatia. Mestrado em Cuidados Paliativos (2013) na Escola Superior de Saúde Prof. Lopes Dias em Portugal.

Como citar este artigo: UnB. Vacinas para Coronavírus (COVID-19; SARS- COV-2): mapeamento preliminar de artigos, patentes, testes clínicos e mercado. Texto de Grace Ghesti, Cristina Quintella, Ana Maria da Mata e Pedro da Mata. Saense. https://saense.com.br/2020/04/vacinas-para-coronavirus-covid-19-sars-cov-2-mapeamento-preliminar-de-artigos-patentes-testes-clinicos-e-mercado/. Publicado em 16 de abril (2020).

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