CCS/CAPES
25/08/2020

Pesquisa cria método para recuperar vegetação da Caatinga
Plantas produzidas em canos para alongamento da raiz em casa de vegetação na Floresta Nacional de Açu, Rio Grande do Norte (Foto: Laboratório de Ecologia da Restauração/UFRN))

Uma tecnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) pode reverter a desertificação da Caatinga. Desenvolvida pela professora Gislene Ganade, a técnica consiste em usar mudas de raízes longas apoiadas por tubos e plantá-las em  locais individualmente  hidratados. Dez bolsistas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) fazem parte da equipe.

No projeto, o grupo de pesquisa fez sobreviver a maioria das árvores plantadas em uma área de 3,5 hectares da Floresta Nacional de Açu (RN), mesmo nas piores secas. Em 2015, as Nações Unidas reconheceram a contribuição do projeto com o selo Dryland Champions. A pesquisa é o primeiro projeto sul-americano do TreeDivNet, um consórcio internacional que estuda a importância da diversidade vegetal para o plantio de florestas.

Os experimentos começaram em 2013. “Testamos diversos métodos: usamos plantas altas, baixas, de raízes curtas, longas, e até consórcio de plantio de arvores com agricultura, a chamada agrofloresta”, conta a professora Gislene, que foi bolsista da CAPES no doutorado na Inglaterra. Os testes levaram a descobertas fundamentais: as espécies mais adequadas para a restauração, e também novas técnicas de plantio.

Algumas árvores, como a jurema preta (Mimosa tenuiflora), ajudam no crescimento de outras plantas ao redor. Mudas de árvores altas, mas que possuam raízes longas de um metro, acumulam reservas de nutrientes e são capazes de alcançar a água em locais mais profundos do solo, resistindo melhor ao clima seco, explica a professora. “Para contornar a seca, os locais receberam água no momento do plantio das mudas. Dessa forma, elas conseguem sobreviver sem irrigação até a estação chuvosa seguinte”, detalha a bióloga.

Na segunda fase, iniciada em 2016, a técnica teve aplicação em larga escala com diferentes níveis de diversidade de árvores. O resultado surpreendeu os cientistas: mais de 70% das mudas sobreviveram, mesmo plantadas durante uma das piores secas da década. O esperado era 30%. Agora os pesquisadores finalizam um estudo que projeta como mais de 600 plantas da Caatinga vão responder às alterações climáticas previstas até o ano de 2070.

“Esse é um trabalho que entrelaça educação e ciência, com alunos da graduação, mestrado, doutorado e profissionais de pós-doutorado se unindo e trocando experiências para a solução de problemas importantes para o país”, diz a ecóloga. “Sem esse grupo de bolsistas esse trabalho não seria possível! Portanto, o financiamento da CAPES é essencial para a formação técnica especializada e a produção cientifica estratégica do Brasil”, completa Gislene.

Como citar esta notícia: CCS/CAPES. Pesquisa cria método para recuperar vegetação da Caatinga. Saense. https://saense.com.br/2020/08/pesquisa-cria-metodo-para-recuperar-vegetacao-da-caatinga/. Publicado em 25 de agosto (2020).

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