Jornal da USP
26/10/2022

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O alastramento de notícias falsas é um fenômeno que não para de crescer e ganha ainda mais ênfase em tempos de campanhas eleitorais. Acreditar na veracidade de uma informação não tem sido das tarefas mais fáceis, nem no Brasil nem no mundo. As chamadas fake news são nocivas em vários aspectos porque carregam com elas desinformação e manipulação de opinião, entre outras consequências negativas para a sociedade.

O tema é um desafio também para o meio acadêmico e não diferente para cientistas de dados que encontram, na matemática, ferramentas de apoio para auxiliar a população na checagem das notícias. Com o apoio do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI) foi desenvolvida uma plataforma de auxílio na detecção de notícias falsas por meio de uma combinação de modelos estatísticos e técnicas de aprendizado de máquina. Para consultar se alguma informação é verdadeira ou não, basta acessar fakenewsbr.com, copiar e colar a informação que se quer avaliar e verificar.

O trabalho é conduzido pelo professor Francisco Louzada Neto, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, e coordenador de Transferência Tecnológica do CeMEAI. A iniciativa teve início quando alunos do Mestrado Profissional em Matemática, Estatística e Computação Aplicadas à Indústria (Mecai) – um dos cursos de pós-graduação profissional do ICMC – resolveram se dedicar ao tema.

Marcos Jardel Henriques é doutorando em Estatística e um dos idealizadores do projeto. “A plataforma foi desenvolvida justamente nesse contexto que estamos vivenciando, em que a população é bombardeada por informações em todos os meios de comunicação. Tivemos a ideia de montar uma plataforma para quando as pessoas tivessem dúvida sobre a veracidade de alguma notícia, copiassem uma parte ou a informação toda para verificar”, explica Jardel.

Segundo ele, foram coletadas mais de 100 mil notícias em textos para treinar modelos estatísticos com o tipo de semântica e, principalmente, o tipo de vocabulário usado ao longo dos últimos anos. “Essas mesmas notícias foram testadas em outros bancos de dados preparados por outros grupos de pesquisas que trabalham com o processamento de linguagem natural”, conta.

“Recomendamos que, ao consultar, a pessoa use o máximo de informações para serem analisadas porque a plataforma conseguirá compreender melhor o contexto, com resultados de até 96% de precisão.”

Nesta semana, o coordenador desse projeto, Francisco Louzada Neto, participa da 39ª Semana de Estatística, realizada em Manaus, e sua palestra tem como tema a plataforma. “Precisamos sempre atualizar e dar mais subsídios para os modelos usados pela plataforma, de modo a melhorar a acurácia e aumentar a capacidade de predição de fake news”, avalia Louzada.

Notícias falsas que circularam na pandemia e agora, nas eleições, estão sendo utilizadas para calibrar os modelos. “O combate às fake news é uma corrida de gato e rato porque, ao mesmo tempo que têm surgido plataformas como a que desenvolvemos para detectá-las, os métodos para produzir essas notícias falsas também têm sido aprimorados”, diz.

[1] Fotomontagem com imagens de Freepik e Pixabay por Rebeca Fonseca.

Como citar este texto: Jornal da USP. Fato ou fake? Descobrir se uma notícia é real também é papel da matemática. Saense. https://saense.com.br/2022/10/fato-ou-fake-descobrir-se-uma-noticia-e-real-tambem-e-papel-da-matematica/. Publicado em 26 de outuro (2022).

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