CCS/CAPES
30/05/2023

Tubulações são colocadas na parede de uma casa (Foto: Naiara Demarco – CGCOM/CAPES)

Elisangela Mazzutti formou-se em Engenharia Civil pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (campus de Frederico Westphalen). Atualmente, é bolsista a CAPES no mestrado, na mesma área, na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Seus estudos abrangem a pegada de carbono das fundações geotérmicas frente às convencionais a partir da análise do ciclo de vida para identificar seu impacto ambiental.

O que é a climatização geotérmica?
A climatização geotérmica é uma tecnologia que pode utilizar fundações de casas ou edifícios que já estão sendo construídos, valas, poços ou lagos. Nesses ambientes, são acopladas tubulações por onde passa água – quente ou fria – fazendo a troca térmica entre o interior da edificação com a água de lagos ou poços, ou com o solo. Essa tubulação estáacoplada a uma bomba, que faz a troca de calor com um segundo circuito dentro do ambiente. Isso reduz muito o consumo de energia elétrica, se comparado, por exemplo, à energia utilizada pelos ares-condicionados atuais. O que nós estudamos e tentamos popularizar é sua utilização nas fundações de qualquer casa ou edifício. 

Essa técnica já é usada no Brasil?
Esse projeto é extremamente incipiente no Brasil. Temos conhecimento de uma residência no Rio de Janeiro que foi construída usando climatização, mas muito antigamente. Então, a tecnologia usada, nesse caso, não é o que a gente tem de mais inovador e o que estudamos na academia. Temos alguns grupos de estudo na UFPR e na Universidade de São Paulo (USP) tentando viabilizar a técnica, porque um dos maiores problemas, hoje, é que a tecnologia está sendo muito bem utilizada na Europa, mas aqui ainda temos que compreender as características geotérmicas do nosso solo, que é muito diferente do solo da Europa. Também precisamos de equipamentos, que aqui são muito caros, então há alunos tentando construir esses equipamentos. 

Mesmo assim, a possibilidade do uso da tecnologia tem se expandido para outras áreas como a avicultura e a suinocultura. Descobrimos que a ave se aquece pelo pé, então se o piso estiver quente, vai aquecer mais facilmente o animal. Nas maternidades da suinocultura, também vislumbramos potencial, já que o porquinho fica direto em contato com piso, que pode estar quentinho.

Que vantagens essa tecnologia tem?
A climatização geotérmica começa com um consumo de energia muito menor do que o usado por um climatizador convencional. A emissão de carbono, já que tem menos utilização de energia, é muito menor. Além disso, o custo-benefício acaba sendo muito bom, porque a fundação já está sendo construída, o que precisa ser feito é só colocar a bomba de calor e as tubulações, o que não gera um custo muito maior.

Estudos que utilizamos com base na literatura internacional, mostra que as bombas de calor produzidas no Brasil são cerca de 3 a 4 vezes mais eficientes do que um motor de ar-condicionado normal, o que vai gerar menos energia elétrica num determinado período de vida.

Além disso, há uma crescente preocupação das empresas em seguir a agenda ESG e diminuir suas emissões de carbono, há uma alta valorização da comercialização dos créditos de carbono, então a importância dessa pesquisa tem ganhado relevância. Considerando que o setor de construção é responsável por cerca de 40% do total global de emissões de gases do efeito estufa (GEE), o trabalho se mostra crucial para incentivar o uso da climatização geotérmica e diminuir as emissões das empresas.

Qual o resultado esperado?
O tema é inovador. Nós, engenheiros, vamos aos congressos e quando falamos sobre esse método para quem não é da área, as pessoas não fazem ideia de que isso existe. Hoje não há livros no Brasil, nem mesmo traduzidos, que abordem sobre o assunto. Quem vai construir uma casa, sequer sabe o que é isso, então fazemos um trabalho, também, de divulgação. O cálculo de uso da climatização deve ser simples para os engenheiros dentro das construtoras. A pesquisa pode ser parâmetro para o cálculo de emissões de suas fundações, por exemplo: se eu tenho x de concreto na minha fundação, ela é tantos por tantos metros, tem y de aço, então a minha emissão vai ser z. Parece complicado, mas não é.

Em resumo, espero que os resultados desta pesquisa possam contribuir significativamente para a conscientização e adoção de práticas mais sustentáveis na indústria, levando a um futuro mais limpo e verde para todos. [1], [2]

[1] Redação: CGCOM/CAPES

[2] Publicação original: https://www.gov.br/capes/pt-br/assuntos/noticias/pesquisa-estuda-tecnologia-limpa-para-a-construcao-civil

Como citar este texto: CCS/CAPES. Pesquisa estuda tecnologia limpa para a construção civil. Saense. https://saense.com.br/2023/05/pesquisa-estuda-tecnologia-limpa-para-a-construcao-civil/. Publicado em 30 de maio (2023).

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