Fiocruz
20/06/2023

Foto: Domínio público / Wikimedia Commons

Coordenador das enfermarias do Centro Hospitalar do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), o infectologista Hugo Boechat, em entrevista para o site do INI/Fiocruz, abordou diversos aspectos da febre maculosa, doença que tem causado grande preocupação na população após o surto registrado na fazenda Santa Margarida em Campinas (SP), resultando até o momento (15/6) em três mortes. Durante a conversa, Boechat ressaltou a importância de um diagnóstico precoce e tratamento adequado como medidas fundamentais para combater essa enfermidade.

INI/Fiocruz: O carrapato estrela é o único vetor da febre maculosa?

Hugo Boechat: Não, o carrapato estrela (Amblyomma cajennense) é um dos principais vetores, mas não o único. Esse parasita costuma ter como hospedeiros cavalos, bois, antas e capivaras. Outras espécies de carrapatos, como o Amblyomma aureolatum e o Rhipicephalus sanguineus, também podem transmitir a doença. A característica comum é serem típicos de animais silvestres.

INI/Fiocruz: Corremos um risco de surto da doença em áreas urbanas?

Hugo Boechat: A doença é mais comum em áreas rurais e de mata, onde os carrapatos estão presentes em maior quantidade. Temos que ficar atentos a municípios como o Rio de Janeiro, com uma grande área silvestre. No entanto, o risco de surto da febre maculosa em áreas urbanas é baixo, mantendo atenção aos casos isolados que possam ocorrer em áreas urbanas devido à migração de carrapatos (desmatamentos etc.) ou a casos importados.

INI/Fiocruz: Além das formas de prevenção tradicionais, algum remédio pode ter ação profilática em áreas de risco?

Hugo Boechat: Atualmente não há um remédio específico ou vacina disponível para prevenir a febre maculosa. Portanto, além das medidas de prevenção para se proteger do contato com carrapatos – como evitar as áreas infestadas, usar repelentes, vestir roupas adequadas e fazer verificações corporais após atividades ao ar livre -, a abordagem recomendada é o tratamento o mais cedo possível quando houver suspeita clínica da doença. O tratamento é simples, barato e amplamente disponível.

INI/Fiocruz: É muito divulgado a importância de fazer o diagnóstico precoce da febre maculosa, porém os primeiros sintomas são de infecção em geral como febre alta e dor de cabeça. O sintoma característico da doença, que é a erupção maculopapular petequial (machas avermelhadas de tamanho pequeno), costuma aparecer depois. Isso pode causar dificuldades no diagnóstico e no tratamento precoce?

Hugo Boechat: Sim, essas características podem dificultar o diagnóstico precoce, mas é importante estar ciente dos sintomas iniciais e buscar assistência médica se houver suspeita de exposição a carrapatos nas duas semanas que antecederam o início do quadro clínico. As equipes de saúde das áreas endêmicas devem estar atualizadas com as definições de caso suspeito e ter um alto nível de suspeição da doença.

INI/Fiocruz: A doença deixa sequelas?

Hugo Boechat: Sim, a febre maculosa pode deixar sequelas em alguns casos. Se não for tratada precocemente, a doença pode levar a complicações graves, como insuficiência renal, comprometimento neurológico, problemas cardíacos e danos vasculares. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para reduzir o risco de sequelas.

INI/Fiocruz: Os desfechos dos casos costumam ser bem-sucedidos?

Hugo Boechat: Com o tratamento adequado e precoce, os desfechos dos casos de febre maculosa costumam ser bem-sucedidos. A administração oportuna de antibióticos, como a doxiciclina, é eficaz no combate à infecção. No entanto, é importante ressaltar que a gravidade da doença pode variar de acordo com cada caso, e a busca por assistência médica imediata é fundamental para aumentar as chances de recuperação.

INI/Fiocruz: O INI é um dos locais em que as pessoas podem obter diagnóstico e tratamento?

Hugo Boechat: O INI/Fiocruz é uma instituição reconhecida no Brasil por sua expertise em doenças infecciosas, incluindo a febre maculosa. É possível obter diagnóstico e tratamento adequados para a doença nesse local, além de outras unidades de saúde especializadas em doenças tropicais e infecciosas. É importante procurar um serviço de saúde capacitado ao suspeitar de febre maculosa ou qualquer doença transmitida por carrapatos. [1], [2]

[1] Texto de Karina Burini e Alexandre Magno (INI/Fiocruz)

[2] Publicação original: https://agencia.fiocruz.br/febre-maculosa-infectologista-da-fiocruz-reforca-importancia-do-diagnostico-precoce

Como citar este texto: Fiocruz. Febre maculosa infectologista da Fiocruz reforça a importância do diagnóstico precoce.  Texto de Karina Burini e Alexandre Magno. Saense. https://saense.com.br/2023/06/febre-maculosa-infectologista-da-fiocruz-reforca-a-importancia-do-diagnostico-precoce/. Publicado em 20 de junho (2023).

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