Embrapa
29/12/2023

Análises demonstraram a eficácia do óleo essencial de Lippia sp. sem controle de fungos e bactérias responsáveis ​​por causar doenças em diversas culturas. Foto: Clarice Rocha

Estudos líderes pela Embrapa Semiárido (PE) apontam que o óleo essencial extraído do alecrim-do-mato (Lippia sp. Schauer – Verbenaceae), espécie nativa da Caatinga, tem um vasto potencial comercial para a produção de defensivos agrícolas biológicos. As pesquisas revelaram altos níveis de timol e carvacrol nas folhas da planta, compostos reconhecidos por sua forte ação antimicrobiana contra diversos microrganismos de importância agrícola.

As análises realizadas pela Embrapa e parceiros revelaram a eficácia do óleo essencial de Lippia sp. no controle de fungos e bactérias que são responsáveis ​​por causar doenças em diversas culturas, explica a pesquisadora Ana Valéria Vieira de Souza, que coordena os estudos para domesticação da planta e viabilização de sua exploração comercial. Entre os microrganismos passíveis de serem controlados, destacam-se os Colletotrichum gloeosporioidesC. musaeC. fructicolaC. asianumAlternaria alternataA. brassicicolaFusarium solaniF. oxysporum f. sp. CubenseLasiodiplodia theobromaeThielaviopsis paradoxa, entre outros.

Além de seu potencial agrícola, o óleo também mostra promessas para uso na saúde animal e humana. “Na pecuária, por exemplo, trabalhos apontam sua eficácia no tratamento da mastite, uma enfermidade de impacto relevante para a produção animal, causada pela bactéria Staphylococcus sp” , cita Souza.

As propriedades antissépticas, antifúngicas, antibacterianas e anti-inflamatórias do óleo essencial também foram observadas frente a microrganismos como Pseudomonas sp., Os resultados promissórios podem abrir novas possibilidades de uso da planta na indústria farmacêutica.Escherichia spp. e Bacillus cereusCandida albicans

Aplicação na cultura do mangá

Os estudos da Embrapa são avançados para o uso do óleo essencial de alecrim-do-mato na pós-colheita da manga, fruta de grande importância socioeconômica para o Brasil. De acordo com o pesquisador Douglas de Britto, o objetivo é explorar as propriedades antifúngicas do óleo de Lippia sp., aplicando-o em um revestimento para manter a qualidade da fruta e prolongar seu tempo de prateleira.

Para tanto, Britto explica que é necessário o encapsulamento do óleo em nanopartículas devido à sua alta volatilidade, ou seja, a facilidade com que a substância passa do estado líquido para o gasoso. “Temos que usar técnicas de nanoencapsulação para que ele fique mais preso, mais fixo a esse revestimento e possa realmente ser eficaz para o objetivo que queremos”, relata.

Segundo o pesquisador, já foram feitos testes in vitro para controle de microrganismos e também avaliações in vivo, aplicando o revestimento nas mangas, e realizando o acompanhamento em câmara fria quanto à evolução da fisiologia da planta, velocidade de amadurecimento e incidência de fungos.

O trabalho integra os esforços da Embrapa para identificar ativos que prolongam a vida útil pós-colheita de frutas, com o uso de revestimentos biodegradáveis ​​que sejam seguros ao ser humano e ao meio ambiente.

“Temos vários tipos de compostos químicos que são usados ​​para controlar os fungos, mas muitas vezes esses produtos podem levar à resistência microbiana. Quando utilizamos um produto natural, como o óleo essencial do alecrim-do-mato, temos algo mais eficaz, que pode ser ingerido pelos seres humanos de forma segura e que também contribui para a redução do aparecimento de cepas resistentes”, destaca Britto.

Estão sendo aprimoradas formulações e estratégias para potencializar a efetividade desse óleo na fase de pós-colheita. “Os estudos concluem-se na etapa laboratorial e o próximo passo será a avaliação desse revestimento em escala piloto nas instalações de processamento de manga”, declara o cientista ao informar que, além da cultura da manga, os pesquisadores pretendem testar o óleo de em outras frutas de interesse comercial, como a uva.Lippia

Ele destaca ainda a importância do bioma Caatinga como fonte de novas moléculas de interesse comercial. “A Caatinga tem uma biodiversidade rica e ainda pouco explorada. Esperamos que esse trabalho possa também ampliar a percepção do grande potencial bioeconômico desse bioma”, finaliza.

Óleos essenciais

Óleos essenciais, segundo a Organização Internacional para Padronização (ISO), são produtos derivados de partes vegetais por destilação a vapor ou esmagamento de cascas de frutas cítricas. São composições complexas de substâncias voláteis, líquidas, sem cor ou levemente amareladas, reconhecidas por seu aroma e sabor característicos. Esses óleos oferecem uma ampla gama de aplicações na indústria química, farmacêutica, de aromas e fragrâncias, além da indústria alimentícia.

O que são nanoencapsulados

Os nanoencapsulados são partículas minúsculas, em escala nanométrica, que envolvem e resguardam ativos, substâncias ativas ou compostos dentro de cápsulas que possuem dimensões tão reduzidas que se situam na ordem dos nanômetros (um bilionésimo de metro).

A técnica de encapsulamento em escala nanométrica é empregada para ampliar a estabilidade, proteção e eficácia de certas substâncias, tais como medicamentos, nutrientes, fragrâncias, óleos essenciais e outros. Isso possibilita a liberação controlada e direcionada dos compostos, melhorando sua compreensão, potência e estendendo sua duração. Tal técnica é utilizada em uma ampla gama de campos, incluindo medicina, cosmetologia e agricultura. [1], [2]

[1] Texto de Clarice Rocha

[2] Publicação original: https://www.embrapa.br/en/busca-de-noticias/-/noticia/85844966/oleo-essencial-de-alecrim-do-mato-e-capaz-de-controlar-fungos-e-bacterias-em-culturas-agricolas

Como citar este texto: Embrapa. Óleo essencial de alecrim-do-mato é capaz de controlar fungos e bactérias em culturas agrícolas. Texto de Clarice Rocha. Saense . https://saense.com.br/2023/12/oleo-essencial-de-alecrim-do-mato-e-capaz-de-controlar-fungos-e-bacterias-em-culturas-agricolas/. Publicado em 29 de dezembro (2023).

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